O mercado hipotecário espanhol está passando por um período de transformação. Em março, foram registradas 46.661 hipotecas sobre residências, o que representa um aumento de 9% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. O montante médio emprestado também apresentou um notável crescimento, alcançando 174.132 euros, um incremento de 10,1% em relação ao ano anterior.
Robin Decaux, CEO e cofundador da Equito, explica que o mercado não está estagnado, mas sim se reconfigurando em um cenário de valorização dos preços dos imóveis, o que leva os compradores a buscarem valores de empréstimo mais elevados. Esse fenômeno se reflete na rapidez com que o capital emprestado está crescendo, superando até mesmo o ritmo das transações, sinalizando uma sincronia mais rápida entre as necessidades dos compradores e o mercado atual.
Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que o mercado hipotecário está se estabilizando. A taxa de juros média se mantém em 2,84%, e 63,8% das hipotecas são assinadas a taxa fixa. Essa mudança para hipotecas a taxa fixa reflete uma maior prudência, reduzindo a vulnerabilidade do sistema a flutuações bruscas nas taxas de juros.
Entretanto, surgem também comportamentos específicos no mercado. As hipotecas com mudanças registrais diminuíram 28,3% em relação ao ano anterior, enquanto as novações recuaram 25,2%. Em contrapartida, as subrogações entre entidades cresceram 8%, o que indica que os proprietários estão mais inclinados a buscar novas opções financeiras eficientes do que a renegociar dívidas antigas. Isso sugere uma tendência em direção a hipotecas mais estruturadas e planeadas desde o início.
Em nível regional, observam-se disparidades significativas no crescimento do mercado. Navarra (+60,4%), Aragão (+45,4%) e Madri (+19,1%) lideram na constituição de hipotecas, destacando-se pelo aquecimento de seus mercados. Por outro lado, Galícia (-20,7%), Castela e Leão (-16,6%) e País Basco (-12,3%) apresentam uma desaceleração. A Catalunha registra um incremento modesto de 5,8%. Esse cenário sugere que as regiões com maior dinamismo econômico estão capturando mais demanda e acesso a financiamento, enquanto outras parecem estar alcançando limites de expansão.
Decaux enfatiza que, embora o crédito continue disponível e a demanda se mantenha alta, o verdadeiro desafio reside na criação de moradias acessíveis. “O problema não é a financiamento, mas sim a capacidade de atender à demanda sem elevar desproporcionalmente os preços”, conclui.





