Os crescentes cortes no financiamento humanitário internacional estão impactando severamente a capacidade de resposta das organizações de direitos das mulheres em diferentes países. De acordo com um novo relatório da ONU Mulheres, a situação já é observada em 52 nações, incluindo Brasil, Moçambique e Timor-Leste, onde as necessidades locais aumentam, mas os recursos diminuem.
No Brasil, a crise é evidente: 84% das organizações relataram um aumento na demanda por apoio, enquanto 88% delas operam com orçamentos inferiores ao esperado. A disparidade entre o aumento da violência de gênero e a redução de recursos afeta diretamente o trabalho em comunidades vulneráveis, como periferias urbanas e áreas quilombolas. Muitas organizações dependem de voluntários, com 65% dos profissionais atuando sem remuneração, em um esforço para manter serviços essenciais.
Em Moçambique, as organizações enfrentam desafios adicionais devido à insurgência em Cabo Delgado e desastres climáticos, que exacerbam a vulnerabilidade das mulheres deslocadas. Já em Timor-Leste, a redução do financiamento ameaça a sobrevivência de ONGs que dependem de apoio externo.
O relatório revela que 72% dos programas de empoderamento econômico feminino foram afetados e a manutenção de centros de apoio sofreu uma redução significativa. Esse cenário também resultou em um aumento drástico da pobreza extrema entre as mulheres, que registraram um salto de 92% nesse indicador, juntamente com um aumento de 86% nos casos de violência.
A situação é alarmante para as ONGs, com 41% delas considerando que podem suspender suas atividades em um ano. Além disso, 77% relataram perda de funcionários qualificados e a maioria sobrevive graças ao trabalho voluntário. A ONU Mulheres destaca a necessidade urgente de financiamento flexível e desburocratizado, sugerindo que doadores priorizem recursos de longo prazo que cubram despesas operacionais, não apenas projetos isolados.
Origem: Nações Unidas






