No passado dia 17 de setembro, a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) celebrou o Dia Internacional do Microrganismo, recebendo o médico-veterinário Jorge Pinto Ferreira, Food Safety Officer da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Natural do Porto e graduado pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da U.Porto, Pinto Ferreira destacou os desafios globais da resistência aos antimicrobianos, uma preocupação crescente na área da saúde pública.
Durante a sua palestra, Ferreira enfatizou a evolução positiva que Portugal tem apresentado em relação à resistência aos antimicrobianos, embora ressalte que a mudança de comportamentos é o maior desafio. “É mais fácil fazer leis no meu escritório em Roma do que um médico veterinário mudar o comportamento no campo”, refletiu ele, sublinhando a importância de um consumo responsável e consciente das substâncias antimicrobianas.
O especialista também debateu o papel dos nutricionistas, sugerindo que eles tenham um papel ativo na promoção de uma alimentação saudável e sustentável. Segundo Ferreira, é fundamental que haja uma maior consciencialização sobre a resistência aos antimicrobianos, especialmente em relação aos alimentos que consumimos. Ele destacou que, embora a produção biológica seja muitas vezes considerada a melhor opção, a realidade é mais complexa e requer uma análise crítica.
Outro ponto abordado foi a inovação tecnológica na produção de alimentos, como a impressão 3D, que pode ajudar a reduzir o desperdício alimentar. Ferreira compartilhou sua experiência recente em Munique onde discutiu as possibilidades dessa tecnologia, questionando sua viabilidade em larga escala. Além disso, ele comentou sobre a necessidade de equilibrar a segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental, especialmente em regiões onde o acesso a alimentos é limitado.
Apesar dos avanços, Ferreira alertou que ainda existem demasiadas pessoas a passar fome, embora os dados mostrem uma redução global da fome. Ele enfatizou que, apesar dos desafios, as campanhas de luta contra a fome têm gerado resultados positivos.
Atualmente a viver em Roma, Ferreira expressou o entusiasmo por trabalhar em um ambiente global, o que lhe permite viajar e experienciar diferentes realidades. O seu trabalho na FAO, acredita ele, contribui para o bem comum e para um futuro mais sustentável.
Origem: Universidade do Porto






