A União Europeia está cada vez mais comprometida com a transição verde, visando atender às suas ambições climáticas e aos objetivos de economia circular. Nesse contexto, a inclusão dos povos indígenas nas políticas que impactam suas terras e comunidades torna-se essencial. Para o povo Sámi, cujos territórios tradicionais se estendem pelo norte da Finlândia, Suécia e Noruega, a legislação da UE em questões como biodiversidade, clima e desenvolvimento sustentável possui consequências diretas. No entanto, a participação efetiva na formulação de políticas da UE ainda representa um desafio.
O projeto financiado pela UE, chamado “Sámi Influence and Knowledge Exchange in EU Policy” (SIKE), liderado pelo Conselho Sámi e apoiado pelo Fundo Europeu Marítimo, de Pescas e Aquicultura (EMFAF), vem atuando para preencher essa lacuna. A iniciativa, que se baseia no projeto anterior AWARE EU-Sápmi, fortalece a interação entre os Sámi e as instituições da UE enquanto explora como o conhecimento indígena pode contribuir para as políticas de sustentabilidade europeias.
A pesquisa realizada pelo SIKE analisa como garantir a participação plena e significativa dos Sámi nos processos de tomada de decisão da UE. Através de análises políticas, engajamento com instituições europeias e diálogos com outras partes interessadas, o projeto está elaborando recomendações que buscam melhorar a representação dos interesses Sámi nas políticas da UE.
Entre os focos do projeto está o conceito Sámi de “Birgejupmi”, que enfatiza o uso sustentável dos recursos e a resiliência, permitindo que as comunidades Sámi mantenham modos de vida baseados na natureza, como a pesca e a criação de renas. Elle Merete Omma, chefe da Unidade da UE no Conselho Sámi, ressalta a importância de garantir que as estruturas da UE apoiem a autoconfiança do povo Sámi, incorporando suas filosofias ao desenvolver soluções para a sustentabilidade.
O SIKE também traz à tona a participação dos jovens Sámi, através de atividades voltadas e diálogo com organizações da juventude, criando novas oportunidades para que as vozes dessa geração sejam ouvidas nas instituições europeias. Um roteiro dedicado ajudará a fomentar a futura cooperação entre o Conselho Sámi, organizações de juventude Sámi e stakeholders da UE.
Essa iniciativa fortalece a capacidade do Conselho Sámi de se engajar com as instituições europeias, promovendo um espaço para o aprendizado mútuo e a cooperação. Além disso, o projeto se alinha aos objetivos da Política Ártica da UE e ao Pacto Verde Europeu, mostrando como o conhecimento indígena pode apoiar uma formulação de políticas mais sustentável e inclusiva. Assim, as comunidades Sámi são melhor preparadas para se envolver em decisões que afetam seu futuro e, ao mesmo tempo, a UE se compromete em fazer com que suas vozes sejam ouvidas na construção de um futuro sustentável para a região do Ártico.
Origem: Oceanos e pescas Europa






