Uma nova publicação do Fundo Monetário Internacional (FMI) analisa a evolução da participação das economias europeias nas cadeias de valor globais, destacando Portugal e Bélgica como exemplos de sucesso. A pesquisa, que utiliza modelos de aprendizagem automática, ressalta que a integração das economias da União Europeia (UE) é profunda, mas marcada por desigualdades substanciais nas ligações produtivas e na complexidade setorial.
Os principais fatores que impulsionam a participação nas cadeias de valor globais incluem a produtividade do trabalho, os custos laborais e o capital humano, além de aspectos como a qualidade das infraestruturas e a prontidão digital. No entanto, o estudo alerta que essa integração gera também riscos, como a concentração de mercados e a vulnerabilidade a disrupções nas cadeias de abastecimento, especialmente em um cenário de tensões geopolíticas.
No caso de Portugal, observa-se que as exportações estão concentradas principalmente na indústria transformadora e nos serviços empresariais, com a UE sendo o destino de cerca de 50% das exportações. Apesar disso, a intensidade tecnológica das exportações portuguesas permanece inferior à média da UE, revelando a dependência de produtos de baixa e média-baixa tecnologias.
Por outro lado, a Bélgica destaca-se por uma forte integração nas cadeias de valor globais, beneficiando-se de uma posição logística privilegiada e uma especialização em setores de alto valor agregado, como a indústria farmacêutica. Contudo, essa elevada integração também expõe o país a riscos associados a choques no setor e flutuações na demanda externa.
As conclusões do documento enfatizam que, apesar das potencialidades de crescimento e diversificação proporcionadas pela participação nas cadeias de valor globais, as disparidades entre os Estados-membros da UE refletem diferentes níveis de desenvolvimento e riscos, evidenciando a necessidade de estratégias diferenciadas para fortalecer a resiliência econômica na região.
Origem: Nações Unidas






