A Assembleia Geral da ONU deu sequência à sessão de emergência sobre a Ucrânia nesta terça-feira e aprovou uma resolução que clama por uma “paz duradoura”. O documento, que recebeu 107 votos a favor, 12 contra e 51 abstenções, expressa uma preocupação profunda com a continuidade da invasão russa em larga escala, assim como suas devastadoras consequências para a Ucrânia e para a estabilidade global.
A resolução pede um cessar-fogo imediato e incondicional, reafirmando o comprometimento da Assembleia com a soberania e integridade territorial da Ucrânia. Além disso, clama por uma paz justa, inclusão de prisioneiros de guerra nas negociações e o retorno de civis transferidos à força, incluindo crianças.
Antes da votação, a vice-presidente da Assembleia, Josélyne Kwishaka, leu uma mensagem da presidente Annalena Baerbock, que destacou a postura firme da Assembleia desde o início da invasão. De acordo com Baerbock, a Assembleia tem se mostrado uma “voz moral da comunidade internacional”, adotando várias resoluções que exigem ações concretas.
Mariana Betsa, representante da Ucrânia, ressaltou que o país entra no quinto ano da invasão e no décimo terceiro de agressão, mencionando a grave situação enfrentada por civis, especialmente no inverno rigoroso. Betsa pediu que os delegados considerassem as condições em que muitos ucranianos vivem, enfrentando temperaturas extremas sem aquecimento, eletricidade ou água.
Por outro lado, a representante da Rússia afirmou que há uma “janela de oportunidade” para um acordo político e pediu um maior foco na diplomacia, enquanto acusa a Ucrânia de atacados civis em território russo.
Annalena Baerbock também abordou o impacto do conflito em milhões de ucranianos, especialmente nas crianças. O coordenador humanitário da ONU na Ucrânia, Matthias Schmale, alertou para o “sofrimento humano imensurável” causado pela guerra, com custos de recuperação estimados em US$ 590 bilhões nos próximos dez anos.
Mais de 10,8 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população, necessitam urgentemente de assistência humanitária, com a guerra gerando não apenas danos físicos, mas também crises de saúde mental e social. Especialistas da ONU também relataram um aumento das violações de direitos humanos, tanto nas regiões ocupadas quanto na própria Rússia, denunciando sequestros, tortura e repressão a vozes críticas do conflito. Uma reunião do Conselho de Segurança da ONU está programada para a tarde, para discutir mais sobre a situação na Ucrânia.
Origem: Nações Unidas






