Numa era marcada pela intensificação de conflitos armados, a exclusão das mulheres dos processos de mediação continua a ser um problema significativo, segundo alertas da ONU. A Resolução 1325 do Conselho de Segurança, que exige a inclusão feminina em decisões relacionadas à paz e segurança, tem visto um cumprimento insatisfatório. A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, destacou que “as mulheres estão a desaparecer dos processos de paz e de mediação”, enfatizando que a sua participação é crucial para a durabilidade dos acordos.
Estudos demonstram que acordos envolvendo mulheres são mais propensos a se manterem a longo prazo. A segurança feminina é apresentada como um pilar para sociedades pacíficas. Contudo, a exclusão das mulheres da vida pública exacerba os riscos de hostilidades. Com menos de um quarto do número usual de processos de paz em andamento, e uma tendência crescente para negociações bilaterais e informais, a presença feminina nas mesas de negociação tem diminuído.
Adicionalmente, organizações feministas enfrentam repressão crescente em várias partes do mundo. No Iraque, por exemplo, defensoras dos direitos humanos são alvo de campanhas de ódio, enquanto no Afeganistão, mulheres estão progressivamente sendo excluídas da vida pública através de uma série de decretos. Em contrapartida, apesar de seu papel vital nas comunidades afetadas, as mulheres continuam a ser sub-representadas nas negociações de paz.
Activistas como Leymah Gbowee expressaram sua indignação pelo fato de apenas homens armados serem convocados para resolver conflitos, enquanto mulheres, frequentemente as maiores vítimas, são relegadas a papéis de observação. Para especialistas como Kaavya Asoka, essa situação não apenas compromete os direitos das mulheres, mas também a própria possibilidade de alcançar uma paz duradoura.
Como resposta, é solicitado que se fortaleçam os mecanismos internacionais de resolução de conflitos, incluindo o financiamento de organizações lideradas por mulheres, a proteção de ativistas e a implementação de quotas de representação. Outro ponto levantado é a condicionalidade do apoio internacional à participação real das mulheres nas negociações de paz.
Origem: Nações Unidas





