Os afegãos que estão retornando ao seu país após períodos no Irão e no Paquistão estão enfrentando uma realidade alarmante marcada por riscos elevados de tráfico de pessoas e exploração. Neste contexto, a combinação de crises humanitárias e económicas tem gerado um estado de vulnerabilidade extrema entre os repatriados, que lutam para garantir a sua sobrevivência diária.
De acordo com relatórios divulgados por agências da ONU, o número de retornados tem aumentado significativamente, havendo mais de 6 milhões de afegãos que voltaram para casa entre setembro de 2023 e maio de 2025. Contudo, a situação no país é crítica. Apenas 11% desses retornados conseguiram se reintegrar ao mercado de trabalho, com a maioria das famílias incapazes de cobrir suas despesas básicas. Mesmo entre aqueles que conseguiram alguma fonte de rendimento, cerca de metade depende de empréstimos ou donativos, o que os torna facilmente exploráveis.
A vulnerabilidade é ainda mais acentuada para mulheres, crianças e famílias endividadas, que figuram entre os grupos mais expostos a práticas abusivas, como trabalho forçado e até tráfico humano para fins de exploração sexual. A chefe de missão da Organização Internacional para Migrações (OIM) no Afeganistão, Mihyung Park, destacou que a capacidade das comunidades locais para acolher o elevado número de retornados é insuficiente, exigindo um apoio internacional mais robusto.
Neste panorama de crise, a ONU também sublinha a necessidade de ações locais e regionais coordenadas para combater o tráfico de pessoas, reforçar a proteção das vítimas e proporcionar melhores condições de vida e caminhos de migração mais seguros. As advertências de representantes da ONU, como Polleak Ok Serei, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), reforçam a urgência de uma resposta integrada que atenda às causas subjacentes da exploração e do tráfico no Afeganistão.
Origem: Nações Unidas





