O Centro de Saúde da Matola 2, localizado nos arredores de Maputo, foi o cenário da ação inaugural do Grupo de Intervenção e Sensibilização, conhecido como Gris. A iniciativa, promovida pelo Centro de Formação Jurídica e Judiciária (Cfjj), marca o início de uma série de atividades do órgão que foi inaugurado em abril pelo Ministério da Justiça, Assuntos Religiosos e Constitucionais de Moçambique.
O público-alvo da sessão incluiu gestantes, mães e mulheres adultas, criando um espaço para discutir questões de direitos e integridade na saúde pública. A ação utilizou a sensibilização comunitária para abordar a extorsão e prevenir práticas ilícitas, buscando transformar um momento de espera em uma plataforma de debate e conscientização social.
Durante a intervenção, Anifa Vilanculo, uma das participantes, enfatizou a importância de romper o silêncio sobre a corrupção, ressaltando que a denúncia e a voz da população são essenciais no combate a essa prática. “Denunciar qualquer tipo de hábito, corrupção que nós podemos presenciar no nosso dia a dia. Quanto mais nós protegermos esse tipo de ação, quanto mais nós calamos diante desse tipo de situação, na verdade nada muda”, afirmou Anifa.
A peça teatral “A fila que não anda” foi um dos pontos altos da ação, retratando a realidade que muitas mulheres enfrentam nas maternidades, onde o atendimento é condicionado à capacidade de pagar subornos. A narrativa impactou os presentes, fazendo com que muitos se identificassem e sentissem a urgência de compartilhar suas próprias experiências de abuso. Um relato marcante foi o de Josefina, que contou sobre a extorsão sofrida durante seu parto, levando-a a decidir não ter mais filhos.
Em um país onde o salário-mínimo é baixo, a corrupção tem um impacto financeiro significativo, suprimindo o já escasso rendimento das famílias. O grupo Gris, composto por funcionários e formandos comprometidos, busca transformar essa realidade através da educação jurídica e conscientização comunitária.
A ideia do Gris surgiu de um módulo de ensino adaptado do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), inicialmente voltado para a formação teórica, que se evoluiu para uma verdadeira intervenção social nas comunidades. A ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, elogiou o projeto, reconhecendo seu papel na transformação do conhecimento em ação concreta a favor das comunidades.
O projeto Gris também conta com o suporte de parcerias internacionais, incluindo o apoio do Unodc e financiamentos da União Europeia, com o objetivo de ampliar o alcance das campanhas de conscientização sobre corrupção em Moçambique. Com um futuro promissor, a iniciativa se torna um modelo de mobilização social e educação jurídica que outras instituições poderão replicar para fortalecer o combate a práticas corruptas no país.
Origem: Nações Unidas






