Cinco anos após a devastação provocada pela pandemia de Covid-19, o mundo se mobiliza para criar estratégias que garantam uma resposta mais eficaz a futuras crises sanitárias. A urgência desse esforço é exacerbada pelas ameaças crescentes à segurança global, incluindo novas doenças infecciosas, mudanças climáticas e conflitos armados. Mais de 7 milhões de vidas foram perdidas devido ao coronavírus, evidenciando não apenas a fragilidade dos sistemas de saúde, mas também acentuando as desigualdades no acesso a vacinas e tratamentos, especialmente entre países ricos e pobres.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, caracterizou a resposta à pandemia como uma “história de engenhosidade e fracasso humano”, destacando o contraste entre o desenvolvimento rápido de vacinas e a inacessibilidade dos cuidados para populações vulneráveis. O debate sobre a importância da cooperação internacional nas áreas de saúde, meio ambiente e bem-estar animal tornou-se central, uma vez que mais de 60% das novas zoonoses são transmitidas de animais para humanos.
A desigualdade no âmbito da saúde foi uma das lições mais duras do período pandêmico. Enquanto países com infraestrutura adequada experimentaram um acesso relativamente rápido a vacinas, muitos outros ficaram para trás, evidenciando a necessidade de uma abordagem mais equitativa. O setor de saúde deve ser visto como uma questão de segurança internacional, que vai além de fronteiras nacionais.
Em resposta a esse cenário, o Acordo Pandêmico da OMS, adotado em maio de 2025, visa estabelecer diretrizes globais vinculativas para a prevenção e resposta a pandemias. No entanto, negociadores ainda precisam aprovar mecanismos que garantam acesso equitativo a amostras virais e, consequentemente, a tratamentos e vacinas.
As perspectivas futuras incluem uma reunião da Assembleia Geral da ONU, marcada para setembro de 2026, onde líderes mundiais discutirão a coordenação de ações globais e a importância do financiamento contínuo e previsível para a saúde pública. A preparação não pode ser relegada a um momento de crise; deve ser uma prioridade constante, sustentada por um compromisso global em proteger todas as populações, independentemente de sua localização. A verdadeira proteção começa entre as crises, promovendo sistemas de saúde resilientes e uma rede de colaboração internacional eficaz.
Origem: Nações Unidas





