Um relatório recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca as profundas consequências econômicas e sociais das inundações que devastaram o Nepal em agosto. As cheias, que resultaram na morte de mais de mil pessoas, não apenas afetaram as áreas diretamente inundadas, mas também tiveram repercussões em todo o país, comprometendo os meios de subsistência das famílias nepalesas.
A OIT avaliou que cerca de 21,4 mil trabalhadores residem a menos de 4 km das zonas afetadas pelas inundações. A destruição de infraestruturas essenciais, como moradias, locais de trabalho, pontes e estradas, prejudica o acesso ao emprego e a serviços básicos, dificultando a já frágil economia local. Setores como turismo, agricultura e pequenas empresas estão entre os mais afetados, com a possibilidade de redução de rendimentos devido à interrupção no trabalho e nas cadeias de fornecimento.
Além disso, a alta taxa de emprego informal no Nepal agrava a situação, uma vez que muitos trabalhadores carecem de reservas financeiras e proteção social. A OIT alerta que aqueles que têm empregos sazonais ou informais poderão enfrentar perdas imediatas de renda, mesmo sem a extinção formal de seus postos de trabalho.
Numan Özcan, diretor da OIT para o Nepal, enfatiza que os danos também se estendem a redes de transporte e rotas comerciais, podendo afetar trabalhadores e empresas em regiões distantes das áreas inundadas. O colapso do corredor comercial entre o Nepal e a China é outra preocupação que pode ter efeitos em cadeia em toda a economia.
Com a situação ainda em evolução, a OIT defende a necessidade urgente de medidas para proteger os meios de subsistência, reabilitar as infraestruturas danificadas e fomentar a criação de empregos dignos, a fim de garantir uma maior resiliência para o país diante de futuros desafios.
Origem: Nações Unidas


