O relatório “Estado das Florestas no Mundo”, divulgado nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), revela que a restauração das florestas pode proporcionar benefícios significativos para a biodiversidade, o clima, a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável. Com dados que abarcam 91 países, o documento informa que um total de 190 milhões de hectares de florestas foram prometidos para restauração.
Dentre os 18 estudos de caso apresentados, dois são destacados no Brasil. O primeiro projeto é liderado pelo povo indígena Xukuru, em Pernambuco, que já restaurou 91,7 hectares na região das montanhas Ororubá, conhecida por seu ecossistema rochoso da caatinga. Este trabalho prioriza áreas de valor simbólico e busca implementar a restauração biocêntrica, uma abordagem que respeita as necessidades de todos os seres vivos em pé de igualdade com as humanas. A iniciativa, apoiada pela FAO, já mostra sinais positivos de recuperação ecológica, com o retorno da biodiversidade e a revitalização de fontes de água.
O segundo projeto, conhecido como Pacto Trinacional da Mata Atlântica, une Argentina, Brasil e Paraguai com o objetivo de restaurar a Mata Atlântica, que atualmente possui menos de 30% de sua cobertura original. Este esforço se baseia em uma governança colaborativa e visa criar “paisagens multifuncionais” que integram a restauração dos ecossistemas a atividades produtivas e desenvolvimento rural. A utilização de tecnologia avançada, como o mapeamento por satélites, é um componente essencial do projeto.
O relatório também salienta os avanços legislativos no Brasil, como a Lei 12.651, que impõe a restauração da vegetação nativa em áreas de preservação. A Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa tem como meta restaurar 12 milhões de hectares até 2030.
O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, enfatizou que a restauração de florestas e paisagens deve ser vista como um investimento estratégico para sistemas agroalimentares resilientes e desenvolvimento rural. Neste contexto, as florestas, que constituem cerca de 32% da superfície terrestre e armazenam enormes quantidades de carbono, estão sob constante ameaça, tendo perdido aproximadamente 489 milhões de hectares entre 1990 e 2025 devido ao desmatamento e outros fatores. A restauração de áreas degradadas poderia gerar significativos benefícios econômicos e ambientais, apontou a FAO.
Origem: Nações Unidas





