A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) participou ativamente no desenvolvimento do Livro Branco sobre a Inteligência Artificial (IA) aplicada ao Jornalismo, um estudo inédito que examina a inserção de ferramentas de IA nos meios de comunicação em Portugal. Este projeto, que se destaca como um marco pioneiro a nível nacional, foi promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, através do European Media and Information Fund, e coordenado pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa.
A investigação envolveu a colaboração de diversas instituições acadêmicas, incluindo a Universidade do Minho e a Universidade Católica Portuguesa, entre outras. O estudo é resultado de nove meses de pesquisa e reuniu 295 respostas de jornalistas, 32 de órgãos de comunicação e 20 de responsáveis editoriais, fornecendo uma visão abrangente sobre as práticas e desafios do setor frente à integração da IA nas redações.
Fábio Ribeiro, docente da UTAD e membro da equipe do projeto, destacou que, embora a adoção de tecnologias automatizadas não seja uma novidade, o debate sobre seu papel no jornalismo se intensificou nos últimos dois anos. O estudo visou entender como as redações estão se adaptando e quais práticas estão sendo estabelecidas para implantar a IA, além de desenvolver recomendações sobre aspectos editoriais, éticos e econômicos.
Os dados indicam que a maioria dos profissionais ainda enfrenta resistência e dificuldades na utilização da IA, refletindo preocupações sobre a qualidade da informação e a confiança do público. Cerca de 90% dos jornalistas se sentem mal preparados para usar essas ferramentas, um problema que, segundo Ribeiro, está mais relacionado à estrutura das redações do que à sua localização geográfica.
O Livro Branco é apoiado por dois relatórios: o Diagnóstico e Análise Temática e o Relatório de Contributos Participativos, que apresentam a utilização da IA no jornalismo português, os tipos de tarefas em que é aplicada e a preparação do setor para lidar com essa tecnologia emergente. O documento sugere ainda 10 medidas para promover um uso responsável da IA nos meios de comunicação, enfatizando a necessidade de uma identificação clara de conteúdos gerados por IA e a criação de estruturas de monitoramento específicas.
Ribeiro ressalta a importância de garantir transparência e fortalecer a literacia mediática, destacando a relevância de os consumidores de informação saberem se o que leem ou assistem é produzido por humanos ou por máquinas. A participação da UTAD neste projeto reforça o compromisso da universidade em promover uma análise crítica e informada sobre o impacto da Inteligência Artificial no jornalismo contemporâneo.
Origem: UTAD





