Ataques com drones armados têm provocado um alarmante aumento nas mortes de civis na Guerra do Sudão, com mais de 80% dos óbitos registrados entre janeiro e abril de 2023. Isso equivale a cerca de 880 vidas perdidas, em um cenário que preocupa a comunidade internacional. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, alertou que, se medidas imediatas não forem implementadas, o conflito pode evoluir para uma fase ainda mais mortífera.
Os ataques têm como foco 40 espaços civis, predominantemente na província central de Cordofão, e frequentemente atingem mercados e instalações de saúde. A crescente utilização de drones armados tem alterado a dinâmica do embate entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido (RSF), que se estende por quatro anos. A eficácia desses veículos aéreos não tripulados garante a continuação das hostilidades, mesmo em condições climáticas adversas, como a iminente temporada de chuvas, que antes era um período de tréguas.
A diversidade geográfica dos ataques intensifica a crise de deslocamento forçado de civis e compromete a assistência humanitária. Türk enfatizou que a intensidade recente dos ataques destruiu a relativa calma anterior e gerou novos receios de que as hostilidades possam se intensificar novamente em Cartum, a capital do Sudão.
Além disso, a situação agrava o risco de insegurança alimentar aguda, exacerbada pela escassez de fertilizantes resultante da crise no Golfo. Diante do aumento da violência como “tática preferencial” entre os lados envolvidos, Türk pediu ações rigorosas para bloquear a transferência de armas, incluindo drones armados, para o Sudão. Ele também ressaltou a necessidade de garantir a proteção dos civis, incluindo a facilitação de evacuções seguras e a proteção contra represálias, como execuções sumárias e violência sexual.
Origem: Nações Unidas




