A pesca está profundamente enraizada na identidade da pequena ilha de Culatra, localizada ao sul de Portugal. No entanto, a profissão enfrenta um desafio crescente: a diminuição do número de jovens pescadores dispostos a entrar no setor. Dentre os poucos que se destacam nesta nova geração está Hugo Padinha, de 31 anos, que, com o auxílio de um financiamento da União Europeia, adquiriu seu próprio barco de pesca, o “Boa Tarde”.
Hugo, que começou a pescar ao lado de seu pai aos 19 anos, é atualmente o mais jovem skipper entre os 100 pescadores da ilha. Apesar de a pesca ser uma tradição cultural rica, muitos pescadores locais optaram por diversificar suas atividades, como a produção de ostras, para garantir a sobrevivência econômica. No entanto, Hugo acredita firmemente que a pesca é crucial para o futuro da ilha. “A pesca é nossa tradição”, afirma ele, ressaltando que os turistas se interessam em conhecer a atividade pesqueira local.
A compra do barco foi viabilizada pela Associação de Armadores de Culatra (AMIC), que ajudou Hugo a obter uma bolsa do Fundo Europeu Marítimo, de Pescas e Aquicultura (EMFAF). Com orientações sobre o processo de aplicação, ele conseguiu transformar anos de economia em uma realidade tangível. “Seria muito mais difícil comprar meu barco sem esse financiamento”, revelou ele, destacando a dificuldade que pescadores de pequena escala enfrentam para obter crédito em um setor considerado arriscado.
Desde que recebeu a aprovação do financiamento, Hugo se tornou o orgulhoso proprietário do “Boa Tarde”, um barco de pesca artesanal de sete metros que captura espécies locais como a dourada e o robalo. Com o novo barco, ele consegue garantir metade de sua receita mensal, enquanto a outra parte provém da agricultura de ostras. Mais do que segurança financeira, o investimento representa uma nova oportunidade de negócio de pequeno porte na ilha, e Hugo espera inspirar a nova geração de pescadores. “Espero inspirar outros jovens a se lançarem na pesca; a ilha precisa deles”, disse ele.
Ao se tornar seu próprio capitão, Hugo não só aprendeu a navegar os mares, mas também a administrar seu próprio negócio. Ele reconhece que é um processo que exige paciência e conhecimento, habilidades que ainda está desenvolvendo. “É um trabalho perigoso e que não deve ser encarado de forma leviana”, alerta. Entretanto, Hugo também menciona a liberdade que a profissão oferece, destacando que “a pesca é diferente de outros empregos; é um trabalho ao ar livre”.
A elevação da conscientização sobre a conservação marinha é vital para o futuro de Culatra. Hugo vê um crescimento na importância que os pescadores locais estão dando à proteção do meio ambiente marinho, permitindo que a herança pesqueira da ilha prospere. Ele acredita que a educação e a formação técnica são essenciais, enfatizando a necessidade de um entendimento profundo das práticas de pesca sustentável. Hugo se prepara para iniciar um treinamento em operações de rádio, uma etapa importante em seu desenvolvimento profissional.
Hugo também expressou interesse em solicitar financiamento da União Europeia novamente, ressaltando a importância desse apoio para manter a tradição e a cultura de pesca de Culatra. Enquanto observa os desafios à frente, ele mantém um otimismo cauteloso sobre o futuro, comprometendo-se a lutar pela preservação da herança pesqueira da sua ilha.
Origem: Oceanos e pescas Europa




