Mais de um milhão de pessoas estão deslocadas internamente no Líbano, de acordo com um alerta recente do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa). A maioria dessas pessoas vive em campos informais, enfrentando sérias dificuldades de acesso a cuidados de saúde essenciais e se tornando vulneráveis à violência baseada no gênero.
Desde março, o Unfpa tem fornecido suporte a mais de 80 mil deslocados, oferecendo serviços de saúde sexual e reprodutiva, além de assistência para situações de violência. Esse grupo inclui 326 mil mulheres em idade fértil, com cerca de 13,5 mil grávidas. Estima-se que aproximadamente 1,5 mil dessas mulheres entrem em trabalho de parto no próximo mês, o que torna ainda mais urgente a necessidade de garantir acesso a serviços de saúde adequados.
A situação nos abrigos é crítica, uma vez que muitos estão superlotados e carentes de instalações sanitárias adequadas, expondo ainda mais as mulheres grávidas a riscos de infecções. A Unfpa ressalta a importância de garantir o fornecimento de bens e serviços de saúde necessários para proteger a vida e a saúde dessas mulheres.
Nos últimos meses, o Líbano também enfrentou uma série de ataques a instalações de saúde, resultando na paralisia de pelo menos quatro hospitais e sobrecarregando os que permanecem em operação. Isso limita as opções para mulheres com gravidezes de alto risco, afastando muitas delas dos cuidados necessários.
Para contornar a escassez de serviços, o Unfpa está operando clínicas móveis que oferecem cuidados de saúde próximos às comunidades necessitadas. Além disso, a agência ativou serviços em 200 abrigos coletivos e comunidades de acolhimento, buscando atender a aproximadamente 225 mil pessoas. Para isso, um apelo de financiamento de US$ 12 milhões foi lançado para cobrir as necessidades humanitárias urgentes da população.
No cenário mais amplo, o porta-voz do secretário-geral da ONU destacou a preocupação com a escalada do conflito na região e reafirmou o compromisso da ONU em apoiar iniciativas de paz no Oriente Médio, especialmente em resposta aos recentíssimos ataques na região. O secretário-geral, António Guterres, sublinhou a importância da proteção da população civil e das infraestruturas, em consonância com as resoluções do Conselho de Segurança.
Origem: Nações Unidas






