No Sudão, um novo surto de cólera tem causado alarme internacional, resultando em mais de 100 mortes e impactando severamente comunidades já fragilizadas pelo conflito armado. A cidade de El-Obeid, uma das mais afetadas, enfrenta ataques diários por meio de drones, complicando ainda mais a entrada de ajuda humanitária.
Em uma coletiva de imprensa na última sexta-feira em Genebra, Shible Sahbani, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), relatou que já foram confirmados mais de 1.330 casos da doença, que é causada pela bactéria Vibrio Cholerae. Apesar da possibilidade de tratamento eficaz, a infecção pode ser fatal se não recebida rapidamente. Com uma taxa de letalidade alarmante de 13,7%, a situação é ainda mais preocupante com a iminente chegada da estação das chuvas, que pode agravar a propagação da cólera.
Além do surto de cólera, o país também enfrenta epidemias ativas de dengue, malária, meningite, hepatite E e sarampo. O Sudão, que atualmente vive a maior crise humanitária do mundo, conta com mais de 33 milhões de pessoas em necessidade de assistência, sendo 21 milhões delas dependentes de serviços médicos.
As agências humanitárias expressam grande preocupação com a possibilidade de a cólera se espalhar entre as centenas de milhares de deslocados que fugiram das áreas de combate no Cordofão do Norte. Sahbani destacou que a situação em El-Obeid é crítica, com as unidades de saúde sobrecarregadas e acesso a cuidados limitados.
Diante dessa crise, o representante da OMS reiterou os apelos do alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk, instando a comunidade internacional a agir para prevenir novas atrocidades em El-Obeid e garantir que a ajuda humanitária alcance aqueles que mais necessitam. Ele enfatizou a urgência de assegurar o acesso e envio de suprimentos médicos para mitigar os riscos associados aos surtos de doenças, desnutrição e violência, especialmente contra mulheres e crianças.
Origem: Nações Unidas






