O mundo enfrenta um desafio crescente relacionado ao uso massivo de baterias descartáveis que alimentam dispositivos eletrônicos do cotidiano, conhecidos como IoT (Internet das Coisas). Estima-se que, até 2030, mais de 40 bilhões de dispositivos IoT estarão em operação, contribuindo para um problema ambiental significativo. Embora esses dispositivos tenham uma vida útil média de dez anos, as baterias, que os alimentam, duram apenas dois anos, gerando um volume de resíduos alarmante. Até 2025, projections indicam que poderão ser descartadas 78 milhões de baterias diariamente, o que representa um impacto econômico e ambiental sem precedentes.
Neste cenário, surge a Azure Photon, reconhecida como spin-off da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). A empresa, fundada por investigadores do Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE), desenvolve células solares de perovskita que geram energia a partir da luz interior, eliminando assim a necessidade de baterias descartáveis para alimentar dispositivos IoT.
As células solares de perovskita se destacam por sua capacidade de produzir eletricidade mesmo sob baixa luminosidade, atingindo uma eficiência de conversão de energia de 44,7% em ambientes internos. Essa tecnologia é capaz de transformar a luz artificial de escritórios e residências inteligentes em uma fonte de energia limpa e contínua, atendendo às necessidades dos sensores e dispositivos IoT sem necessidade de manutenção constante.
Um dos principais avanços da Azure Photon está no processo de selagem hermética assistida por laser, que protege as células solares contra umidade e oxigênio, fatores conhecidos por degradar componentes sensíveis. Esse método, desenvolvido na FEUP, utiliza frita de vidro fundida a temperaturas abaixo de 100 graus Celsius, garantindo uma durabilidade excepcional e já demonstrou 2.500 horas de estabilidade em testes.
Preparando-se para lançar o primeiro dispositivo de perovskita hermeticamente selado, a Azure Photon busca substituir baterias descartáveis por uma fonte de energia renovável. Com isso, a empresa visa reduzir os resíduos eletrônicos, diminuir os custos de manutenção e melhorar a eficiência energética, alinhando-se às metas europeias de neutralidade carbônica e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, como energia limpa, inovação e ação climática. A base técnica da Azure Photon é fruto da pesquisa realizada no LEPABE, o que sublinha seu compromisso com soluções energéticas inovadoras e sustentáveis.
Origem: Universidade do Porto





