Um grupo de investigação da RISE-Health e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) publicou um estudo inovador que propõe a auscultação pulmonar através de smartphones, combinada com inteligência artificial (IA), como uma alternativa eficaz para a telemonitorização respiratória em crianças. Este é o primeiro trabalho a aplicar um modelo de IA para detetar ruídos respiratórios agudos, como sibilos, utilizando gravações feitas por smartphones. O estudo incluiu a participação de 217 crianças e adolescentes, com idades entre 0 e 17 anos, e obteve uma precisão de 87% na identificação desses sons.
Os resultados do estudo mostram que essa nova abordagem pode superar as limitações do método tradicional, que depende da avaliação presencial e da subjetividade das informações relatadas pelos pais. As investigadoras Cristina Jácome e Inês Pais-Cunha destacam que a auscultação por smartphone é uma tecnologia promissora para integrar em sistemas de monitorização remota, permitindo a detecção de períodos de agudização de doenças respiratórias que muitas vezes passam despercebidos entre consultas.
O estudo, publicado no European Journal of Pediatrics, analisa 2.020 gravações respiratórias e conclui que a acessibilidade dos smartphones com microfones de alta qualidade proporciona uma solução prática e não invasiva para a gravação dos sons respiratórios, tanto em ambientes clínicos quanto domésticos. Isso elimina a necessidade de dispositivos adicionais e torna a recolha de dados mais conveniente.
Além da detecção de sibilos, as investigadoras sugerem que as gravações poderiam ser utilizadas para identificar outros sons associados a condições respiratórias, contribuindo para um diagnóstico mais preciso e acompanhamento de doenças crónicas, como a fibrose quística e pneumonias. Este trabalho é visto como um passo significativo rumo a melhorias nos cuidados pediátricos e um avanço na integração da tecnologia no acompanhamento da saúde infantil.
Origem: Universidade do Porto





