O Haiti enfrenta atualmente uma crise profunda e multifacetada, abrangendo setores políticos, humanitários e de segurança. Nesta segunda-feira, a situação alarmante do país caribenho foi discutida em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, onde representantes dos 15 países-membros analisaram o impacto devastador do crime organizado sobre a população local e as possíveis estratégias para restaurar a ordem e a soberania do Haiti.
De acordo com o mais recente Relatório do Secretário-Geral da ONU, nos primeiros seis meses de 2026, a violência associada ao crime organizado resultou em mais de 2.310 mortes, além de 99 sequestros e 699 casos de violência sexual. A situação é ainda mais crítica para as crianças, que frequentemente são alvo de aliciamento e tráfico por parte de facções criminosas. Cálculos indicam que grupos armados controlam até 90% da capital, Porto Príncipe, e se expandem para outras regiões como Centro, Artibonite e Sudeste.
As gangues não apenas ameaçam diretamente a população civil, mas também exercem um controle rigoroso sobre infraestruturas críticas, como portos, rotas de transporte e depósitos de combustível, visando monopolizar as cadeias de suprimentos e extorquir a comunidade local. Apesar de algumas operações das forças de segurança que conseguiram retomar o controle de áreas estratégicas, a ONU alerta que esses avanços permanecem frágeis.
Carlos Ruiz Massieu, representante especial da ONU, salientou a necessidade urgente de implementar estratégias de Desarmamento, Desmantelamento e Reintegração (DDR) e apresentou propostas que variam desde um plano de resposta rápida, com custo estimado de US$ 13,5 milhões, até um programa abrangente, cuja execução poderia custar até US$ 150 milhões.
A principal recomendação da ONU é a criação de um fundo de vários parceiros, copresidido pelo governo haitiano e pela ONU, para garantir um financiamento seguro e previsível para as iniciativas de DDR. O contexto da crise é agravado por um ecossistema complexo de crime organizado transnacional, que inclui o tráfico de armas e de drogas, bem como o contrabando de migrantes e a corrupção.
Monica Juma, diretora-executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, destacou a necessidade de um apoio internacional coordenado para enfrentar a situação. Isso requer intervenções imediatas para neutralizar o poder das gangues, enquanto se busca fortalecer as instituições administrativas e proteger a população mais vulnerável. Apesar dos desafios, sinais de esperança emergem através da cooperação multilateral e do compromisso renovado da comunidade internacional em apoiar o povo haitiano em sua busca por estabilidade e paz.
Origem: Nações Unidas





