O Investimento Estrangeiro Direto (IED) global viu um aumento de 6% em 2025, atingindo US$ 1,6 trilhão, após dois anos de queda. Este crescimento, no entanto, é considerado frágil e desigual, conforme aponta o Relatório Mundial de Investimentos 2026 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Enquanto as economias desenvolvidas registraram um crescimento de 11% nas entradas de IED, os países em desenvolvimento experimentaram um aumento mais modesto de apenas 2%, somando US$ 901 bilhões.
Pedro Manuel Moreno, secretário-geral interino da Unctad, destaca que a questão central repousa não apenas na quantidade de investimento que cruza fronteiras, mas nas destinizações e benefícios desse investimento. O Brasil ocupa a quinta posição na lista dos 20 maiores destinos de IED, com um total de US$ 77 bilhões em 2025, um crescimento em relação aos US$ 63 bilhões de 2024. Os Estados Unidos lideram a lista, seguidos por Singapura e Hong Kong.
O relatório ainda menciona que algumas grandes economias emergentes, como o Brasil, fortaleceram suas posições entre os principais destinos de investimento, com destaque para o setor de energia renovável. No contexto dos países de língua portuguesa, foram observados investimentos chineses significativos em Portugal, especialmente na fabricação de componentes para veículos elétricos. Em Moçambique, os fluxos de IED cresceram para cerca de US$ 6 bilhões, impulsionados por projetos em hidrocarbonetos, enquanto Angola registrou uma recuperação para US$ 1,1 bilhão.
O estudo também revela um aumento no IED direcionado a pequenos Estados insulares em desenvolvimento, como Cabo Verde, que lideraram com um aumento de 38%. No entanto, o relatório enfatiza que, apesar do crescimento nos números agregados, isso não se traduz necessariamente em novas fábricas, infraestrutura ou geração de empregos.
Os investimentos em setores estratégicos, como infraestrutura de inteligência artificial e semicondutores, dominaram as alocações, com 44% do valor de projetos greenfield, um aumento significativo em relação a anos anteriores. Apesar do cenário de crescimento em vários setores, muitos outros, como energias renováveis e manufatura, mostraram declínios.
As economias em desenvolvimento continuam a receber mais da metade do IED global, mas com um crescimento desigual. Os desafios persistem, e muitos países enfrentam o risco de serem deixados para trás enquanto os investimentos se tornam mais técnicos e dependem de políticas que nem todos conseguem implementar.
Para o futuro, as perspectivas permanecem incertas, agravadas por tensões geopolíticas, conflitos e custos elevados de financiamento. A competição por investimentos em setores estratégicos deve se intensificar, à medida que as nações buscam assegurar fontes para o crescimento econômico e para vantagem tecnológica.
Origem: Nações Unidas




