A produção global de alimentos de origem animal, especialmente ovos, aves e carne suína, cresceu exponencialmente nos últimos 60 anos, conforme revela um novo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O estudo destaca que a pecuária se tornou um dos setores de maior expansão agrícola, alterando hábitos de consumo e impondo novos desafios ambientais e sociais.
Entre 1961 e 2022, a produção mundial de carne saltou de 71 milhões de toneladas para impressionantes 361 milhões de toneladas. A carne de aves foi a que apresentou o crescimento mais acentuado, enquanto a carne bovina permaneceu estável em diversas regiões. Em contrapartida, os países lusófonos mostram um contraste significativo: enquanto Brasil e Portugal se destacam como grandes produtores e consumidores, na África e em Timor-Leste o acesso a esses produtos ainda é limitado, com elevado custo e dependência de importações.
O Brasil é atualmente um dos principais exportadores de carne bovina e de frango, além de se posicionar como um dos maiores produtores de leite, evidenciando sua relevância no mercado global. No entanto, essa posição também traz à tona desafios ambientais, como o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa.
Em contraste, na África lusófona, países como Angola e Moçambique enfrentam sérios problemas com a baixa oferta e um consumo estagnado, onde grande parte da comercialização acontece em mercados informais com infraestrutura inadequada. Isso contribui para que muitos alimentos de origem animal se tornem inacessíveis a famílias rurais, que dependem da pequena produção doméstica para complementar suas dietas e sustentar suas economias.
O relatório da FAO também aponta que cerca de um terço dos alimentos produzidos globalmente é perdido ou desperdiçado, com 14% desse total referente a produtos de origem animal. As perdas são atribuídas à perecibilidade e à infraestrutura deficiente, impactando especialmente os países com renda média e baixa.
Além dos desafios de produção, a FAO alerta que o setor pecuário enfrenta questões urgentes relacionadas ao desmatamento, uso insustentável dos recursos naturais, saúde pública e bem-estar animal, incluindo os riscos de doenças zoonóticas que surgem da interação entre humanos e animais de criação.
Origem: Nações Unidas





