Oracle expande sua presença na África com nova região de cloud em Casablanca
A Oracle anunciou a abertura de uma nova região de cloud público em Casablanca, Marrocos, reforçando sua presença no continente africano. A empresa fez o anúncio oficialmente em 7 de abril de 2026, embora a documentação técnica indique que a região, identificada como Morocco West (Casablanca), estava disponível desde 20 de fevereiro de 2026. Essa nova estrutura, que possui um único availability domain e é identificada como af-casablanca-1, marca um importante passo para a Oracle, sendo a primeira região pública de um hiperescalar no norte da África, conforme apoio do governo marroquino.
O lançamento da nova região conta com a parceria da N+ONE Datacenters, um operador local neutro com sede em Casablanca. A N+ONE, que está no mercado desde 2008 e já possui certificações Tier III, se destaca por suas alianças estratégicas no setor de multicloud. Desde 2024, a empresa é formalmente aliada da Oracle, consolidando a expansão da cloud no país.
A estratégia da Oracle para Casablanca não se limita a uma simples expansão geográfica. A companhia vincula essa nova infraestrutura à sua abordagem de distributed cloud, permitindo que empresas, startups e instituições governamentais marroquinas realizem operações em nuvem sem a necessidade de transferir dados para fora do país. Essa estratégia é especialmente relevante para setores regulados, garantindo o cumprimento de leis de proteção de dados e aumentando a confiança no uso de serviços digitais.
Em um contexto mais amplo, a Oracle já havia assinado um memorando de entendimento com o governo de Marrocos em maio de 2024, avaliado em 140 milhões de dólares para o desenvolvimento de duas regiões de cloud público no país, uma em Casablanca e outra em Settat. Embora a segunda região ainda não tenha data definida para abertura, sua eventual concretização fará de Marrocos um dos poucos países africanos a contar com duas regiões públicas da Oracle, aumentando seu apelo para negócios que buscam redundância e segurança.
A chegada de uma região de cloud pública não traz apenas mais capacidade computacional; ela implica em uma redução na latência dos serviços, possibilitando que as organizações mantenham dados próximos ao usuário final e avancem em projetos críticos que demandam alta performance. A Oracle já sinaliza que esta nova região será crucial para aplicações de IA generativa, analítica e modernização de aplicativos.
Além disso, essa expansão coloca a Oracle em uma posição competitiva no norte da África, onde até agora não havia muitas opções de infraestrutura de hiperescalar. A empresa já opera em Johanesburgo e tem planos de expandir para Nairóbi, mas a nova região de Casablanca representa uma conquista significativa, oferecendo uma alternativa para empresas que antes dependiam de servidores localizados na Europa ou na África do Sul.
Com investimentos contínuos, incluindo um centro de I&D inaugurado em junho de 2025, que visa empregar mil profissionais marroquinos, a Oracle está traçando uma estratégia que combina infraestrutura sólida e desenvolvimento de talentos. Para Marrocos, isso reforça a ambição de se tornar um hub digital no norte da África. Para a Oracle, é uma oportunidade de fortalecer sua presença em um mercado em crescimento, onde a regulamentação, a localização de dados e a inteligência artificial se tornam fatores cada vez mais críticos. O desempenho do negócio em Casablanca nos próximos meses será um indicativo do impacto real desta expansão no cenário africano de cloud computing.






