Passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius começaram a desembarcar em Tenerife neste domingo, numa rigorosa operação internacional de saúde coordenada pelas autoridades espanholas e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O navio chegou às Ilhas Canárias após semanas no mar, enfrentando um surto de hantavírus a bordo que resultou em três mortes.
Em uma coletiva de imprensa realizada em Tenerife, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, tranquilizou a população, afirmando que o risco global de disseminação da doença é considerado baixo. Ele destacou que “não se trata de outra Covid-19” e pediu para que as pessoas não entrem em pânico.
Até a última sexta-feira, foram identificados oito casos relacionados ao navio, sendo que seis foram confirmados como infecções por hantavírus da variante Andes. Desde o dia 2 de maio, não houve relatos de novas mortes.
A operação de desembarque teve início pela manhã, com equipes de saúde inspecionando os passageiros e a tripulação a bordo. O desembarque foi organizado em etapas, priorizando nacionalidades e disponibilidade de voos. Diana Rojas Alvarez, responsável pelas operações de saúde da OMS em Tenerife, elogiou a organização da operação, que inicialmente planejava desembarcar cerca de 46 pessoas no domingo, com continuação prevista para o dia seguinte.
A OMS informou que nenhum passageiro utilizaria voos comerciais, sendo todos repatriados por meio de voos fretados sob protocolos de saúde rigorosos. Maria van Kerkhove, diretora da OMS para Gestão de Epidemias e Pandemias, mencionou que os passageiros e tripulantes seriam monitorados ativamente por até seis semanas, dado o período de incubação do hantavírus. Entre as recomendações estão monitoramento diário e quarentena em casa ou em instalações especializadas.
O hantavírus é uma doença rara, normalmente associada à exposição a roedores infectados, podendo causar complicações respiratórias severas. A cepa Andes, relacionada ao surto atual, é a única com transmissão documentada entre humanos. A operação em Tenerife envolveu uma colaboração estreita entre Espanha, Países Baixos, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças e as equipes da OMS. Van Kerkhove ressaltou a importância da coordenação internacional na resposta a ameaças de doenças infecciosas, mesmo quando a atenção pública é reduzida.
Origem: Nações Unidas






