Um relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos acusa as Forças de Apoio Rápido (RSF) do Sudão de cometer graves violações durante a ofensiva final para capturar a cidade de El Fasher, em outubro do ano passado. O documento, que se baseia em entrevistas com mais de 140 vítimas e testemunhas realizadas no final de 2025, alerta que essas ações podem constituir crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade.
Durante os primeiros dias da ofensiva, mais de 6 mil mortes foram registradas, com a ONU estimando que cerca de 4,4 mil dessas ocorrências aconteceram dentro da cidade e mais de 1,6 mil ao longo das rotas de fuga utilizadas por civis buscando escapar do conflito. O relatório menciona que o número total de vítimas pode ser ainda maior do que o documentado.
Um dos incidentes mais alarmantes ocorreu em 26 de outubro, quando os combatentes das RSF abriram fogo em um dormitório na Universidade de El Fasher, resultando na morte de aproximadamente 500 civis que buscavam abrigo no local. A narrativa dos sobreviventes descreve a cena como aterrorizante, com corpos sendo arremessados devido à intensidade do ataque.
O relatório também detalha uma série de abusos cometidos pelas RSF e milícias árabes aliadas, incluindo assassinatos em massa, execuções sumárias e violência sexual. Um dos pontos mais preocupantes é a utilização de instalações civis, como um hospital infantil que foi convertido em centro de detenção, onde as condições foram descritas como deploráveis e causaram surtos de doenças entre os presos.
Diante da gravidade da situação, o alto comissário da ONU, Volker Turk, exigiu investigações independentes para responsabilizar os culpados, incluindo a liderança das RSF. Ele destacou a necessidade de levar os perpetradores à justiça através de tribunais locais e internacionais. O relatório conclui com um apelo para que países com influência sobre as partes envolvidas ajam de forma urgente para impedir novas violações, enfatizando a importância do respeito ao embargo de armas e o término do envio de material militar aos grupos em conflito.
Origem: Nações Unidas






