O mercado global de PCs começou 2026 com resultados melhores do que o esperado: os envios mundiais de computadores cresceram 2,5% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre, totalizando 65,6 milhões de unidades, de acordo com dados preliminares do IDC Worldwide Quarterly Personal Computing Device Tracker. Este crescimento, embora positivo, traz uma advertência: as pressões sobre a memória, o cenário macroeconômico desfavorável e o aumento dos custos logísticos começam a afetar o setor.
O IDC atribui esse aumento inicial a três fatores principais: a antecipação de futuras altas nos preços dos componentes, a migração impulsionada pelo fim do suporte ao Windows 10 e a chegada de novos produtos ao mercado. Entretanto, a consultoria alerta que 2026 será marcado por mudanças nas cotas de mercado entre os fabricantes e por uma prova de resistência nas cadeias de suprimento, especialmente no acesso à memória.
Ademais, o conflito no Oriente Médio trouxe uma nova camada de volatilidade aos negócios de PCs, impactando os custos de energia e transporte. O IDC destaca que ainda existem disrupções em corredores marítimos essenciais entre a Ásia e a EMEA, enquanto a necessidade de transporte aéreo também se tornou mais custosa, aumentando ainda mais o preço final dos equipamentos.
Embora o trimestre tenha terminado com resultados positivos, o IDC não projeta um cenário otimista para os próximos meses. Em sua análise de mercado para dispositivos pessoais, publicada recentemente, a empresa já havia revisado para baixo suas expectativas anuais, prevendo uma queda de 11,3% nos envios globais de PCs em 2026, em comparação com uma previsão anterior menos pessimista. A escassez de memória, o aumento dos preços e uma cadeia de suprimentos mais frágil continuam a ser os principais fatores desse cenário desafiador.
Em termos de participação de mercado, a Lenovo manteve a liderança global com 16,5 milhões de unidades enviadas e uma quota de 25,2%. A HP ficou em segundo lugar, mas registrou a única queda entre os cinco principais fabricantes. A Dell ganhou espaço com um crescimento de 7,7%, enquanto a Apple e especialmente a ASUS mostraram avanços significativos, com a ASUS liderando o crescimento entre os cinco primeiros com impressionantes 17,1%.
Os números preliminares refletem apenas os PCs tradicionais — desktops, laptops e estações de trabalho — e não incluem tablets ou servidores x86. Segundo o IDC, os envios englobam tanto vendas ao canal quanto ao consumidor final.
A situação atual do setor é clara: o mercado ainda se sustenta na renovação de equipamentos e no temor de aumentos de preço, mas essa fase pode ser temporária. Se a escassez de memória persistir e os custos logísticos continuarem a subir, o crescimento observado entre janeiro e março poderá ser mais uma reação preventiva do setor do que um sinal de recuperação sustentada.






