Um esquema de fraude imobiliária em Palmela tem gerado graves consequências, deixando mais de 120 famílias sem casa e resultando em prejuízos que ultrapassam 26 milhões de euros. A situação, agora sendo investigada pelo DIAP de Setúbal, revela falhas significativas nas leis que regulam a habitação e o urbanismo, notadamente no Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação (RJUE). O principal suspeito, detido em dezembro passado, foi libertado pelo tribunal, mas a dimensão da burla expõe a vulnerabilidade do sistema legal em proteger os compradores.
Representantes dos lesados apontam que a fraude não é atribuível apenas a um único promotor, mas sim a lacunas no sistema legal que permitem práticas fraudulentas. Entre os problemas destacados estão a falta de registro obrigatório para contratos promessa e a inexistência de contas fiduciárias que garantam a segurança dos pagamentos realizados pelos compradores. Adicionalmente, a crítica à falta de colaboração entre as entidades públicas, como municípios e autoridades fiscais, impede a detecção e prevenção de fraudes, tornando o sistema ainda mais vulnerável.
Diante dessa crise, os lesados estão exigindo atenção do Governo, que já se encontra em processo de revisão do RJUE, propondo mudanças que incluem a responsabilidade dos promotores e a comunicação prévia de projetos. Contudo, os afetados alertam que essas alterações precisam ser acompanhadas de mecanismos efetivos de fiscalização e proteção aos compradores, sob pena de reproduzirem os mesmos riscos que originaram a situação atual. A solução do caso de Palmela pode servir como um teste para a efetividade das novas regulatórias e a verdadeira proteção dos direitos habitacionais em Portugal.
Ler a história completa em Idealista Portugal





