Especialistas em finanças estão se reunindo em Genebra para discutir a urgência de uma reformulação radical na avaliação do crescimento econômico. O encontro, que ocorre após a adoção do Pacto para o Futuro pelos Estados-membros da ONU em 2024, destaca que o Produto Interno Bruto (PIB) não deve ser a única medida a guiar as estratégias dos países, uma vez que ignora fatores essenciais para a vida humana, como saúde e sustentabilidade.
António Guterres, secretário-geral da ONU, enfatizou a importância do grupo de especialistas, formado em 2025 para avançar na iniciativa “Além do PIB”. Sua missão é buscar um meio-termo entre as dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento, ressaltando que o foco deve estar no bem-estar das pessoas e do planeta. Guterres defende que métricas complementares ao PIB podem redirecionar políticas em direção a um desenvolvimento sustentável e à prosperidade para todos.
No primeiro relatório do grupo, publicado em novembro do ano passado, foi identificada uma crescente insatisfação pública e uma crise de saúde mental, especialmente entre os jovens. Os especialistas afirmam que há uma desconexão alarmante entre as ações dos governos e as percepções dos cidadãos sobre o que constitui progresso verdadeiro, o que tem sido evidenciado por protestos sociais crescente e pela perda de confiança em instituições.
A análise dos especialistas sugere que essa dependência do PIB se intensificou nas últimas duas décadas, à medida que crises climáticas e sociais se aprofundaram, exacerbadas pela pandemia de Covid-19 e aumento da desigualdade. Em contrapartida, o PIB é criticado por valorizar atividades que degradam o meio ambiente em vez de promover aquelas que sustentam a vida.
Durante a reunião, será abordada a criação de um conjunto de indicadores que possam ser amplamente aplicáveis e que apoiariam os governos na implementação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O grupo, que conta com a participação de 14 economistas renomados, incluindo o prêmio Nobel Joseph Stiglitz, busca demonstrar que saúde, igualdade e qualidade ambiental não apenas beneficiam o bem-estar social, mas também têm um impacto positivo sobre a prosperidade econômica.
A proposta é respaldada por diversas organizações da ONU, incluindo a Unctad e o Pnud, que visam equipar os países com as ferramentas necessárias para fomentar um desenvolvimento que atenda às necessidades atuais sem comprometer as futuras gerações.
Origem: Nações Unidas





