Uma recente visita do Mecanismo Internacional de Especialistas Independentes para Promover a Justiça e a Igualdade Raciais à Colômbia revelou a persistência alarmante do racismo estrutural e sistêmico no país. Durante 11 dias, a equipe, que foi convidada pelo governo colombiano, percorreu a capital Bogotá e cidades como Cartagena e Cali, com o objetivo de avaliar a situação dos colombianos negros.
Os especialistas em direitos humanos enfatizaram a importância de medidas como a revisão das diretrizes para uso da força policial em protestos, o treinamento de agentes de lei para garantir a inclusão dos direitos humanos nas operações diárias e a criação do recém-estabelecido Ministério da Igualdade e Equidade. No entanto, apesar dessas iniciativas, os especialistas alertaram que as mudanças ainda são insuficientes para combater a raiz do problema. Víctor Rodríguez, um dos membros da missão, destacou que o racismo está tão entranhado no sistema que é perpetuado de maneira inconsciente.
A violência policial e a atuação de grupos armados têm um impacto desproporcional sobre os jovens negros, que frequentemente se tornaram alvos de abordagens e revistas excessivas baseadas em estereótipos raciais. Enquanto isso, em regiões afastadas da capital, comunidades afrodescendentes enfrentam uma realidade marcada pela violência, incluindo assassinatos, sequestros e violência sexual.
Em Cartagena, as condições do Centro de Detenção Provisória Bellavista foram descritas como degradantes, com superlotação e falta de recursos básicos, como luz solar, alimentos, ventilação e atendimento médico. Além disso, pessoas detidas em unidades de curto prazo frequentemente ficam presas por meses ou até anos, com condições que foram consideradas por Rodríguez como nunca antes vistas.
Ao término da missão, as recomendações preliminares fornecidas ao governo colombiano incluíram a necessidade de uma reforma estrutural na Polícia Nacional. O relatório completo será apresentado na 63ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, com a expectativa de que as informações ajudem a promover mudanças significativas na abordagem do país em relação aos direitos humanos e à igualdade racial.
Origem: Nações Unidas





