Uma nova análise do Programa Alimentar Mundial (WFP) destaca o agravamento da insegurança alimentar em diversos países devido ao conflito contínuo no Oriente Médio e aos elevados preços do petróleo. O relatório, intitulado “Segurança alimentar sob pressão: Como a crise no Oriente Médio está a impactar países vulneráveis”, revela que, de acordo com projeções anteriores, 45 milhões de pessoas poderão passar a enfrentar insegurança alimentar aguda.
O documento identifica a Somália, o Sri Lanka e o Afeganistão como os países mais afetados. O WFP relata que mais de 6 milhões de pessoas em situação crítica nos três países estão lutando para atender às suas necessidades alimentares básicas, com 2,5 milhões na Somália, 2,3 milhões no Afeganistão e 1,3 milhões no Sri Lanka. O aumento dos preços dos combustíveis, a perda de renda e as interrupções no comércio estão exacerbando essas vulnerabilidades, elevando o risco de fome aguda nas famílias.
Jean-Martin Bauer, diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do WFP, enfatizou que os dados confirmam as previsões feitas ainda este ano e alertou que a situação poderia empurrar milhões de pessoas a uma crise de fome. Ele destacou que, mesmo longe do epicentro do conflito, as famílias mais pobres globalmente estão sendo as mais impactadas.
A análise sugere que novos grupos populacionais, especialmente nas áreas urbanas extremamente pobres e entre comunidades rurais marginalizadas, também estão caindo na insegurança alimentar. Países em conflito, expostos a choques climáticos ou altamente dependentes de importações são os mais vulneráveis à crise alimentar.
O relatório alerta que o sistema humanitário global está sob pressão crescente. O WFP estima que irá conseguir atender 1,5 milhões de pessoas a menos do que o inicialmente planejado até 2026. O impacto da crise ainda está se desenrolando e, mesmo que o conflito termine imediatamente, os danos irreversíveis nos preços e nas condições de vida continuarão a ser sentidos por um longo tempo. A assistência a mais de 9 milhões de pessoas nos próximos meses está em risco, e o WFP enfatiza a necessidade de ação urgente e coordenada para evitar uma emergência de fome catastrófica.
Origem: Nações Unidas






