Com o preço do petróleo Brent ultrapassando a marca de US$ 100 por barril, famílias e trabalhadores em diversas regiões estão recorrendo novamente ao uso de petróleo e carvão, gerando alarmantes preocupações sobre os potenciais danos ambientais a longo prazo. A escalada dos conflitos no Oriente Médio, especialmente após os recentes bombardeios israelenses e americanos ao Irã, provocou uma interrupção significativa no tráfego de petroleiros no Golfo Pérsico, resultando em uma diminuição drástica nos embarques de petróleo e gás natural, o que afeta também a distribuição de alimentos e fertilizantes.
A análise da Divisão de Análise de Políticas e Investigação para África da Unctad, liderada por Junior Davis, indicou que apenas um pequeno grupo de Países Menos Desenvolvidos, como Sudão do Sul, Angola, Chade e Moçambique, se destaca como exportadores líquidos de energia. No entanto, esses países enfrentam desafios significativos, pois muitos carecem de capacidade de refinação, obrigando-os a reimportar combustíveis a preços elevados, limitando os lucros que poderiam obter.
A Zâmbia, por sua vez, destaca-se como um caso que exemplifica as dificuldades enfrentadas por países dependentes de combustível importado do Oriente Médio, especialmente dos Emirados Árabes Unidos. A situação é agravada pela dependência de fertilizantes importados, cuja produção é fortemente influenciada pelo preço do gás natural. Segundo a FAO, 17 das nações mais pobres do mundo precisam importar mais de 30% de suas demandas de cereais, e muitas gastam uma parte significativa de suas receitas com exportações apenas para garantir alimentos.
A falta de espaço para manobras econômicas torna a busca por soluções para a crise energética um desafio complexo. A pressão da dívida sobre muitos países em desenvolvimento e a necessidade de atender gastos públicos limitados sugerem que as famílias acabarão pagando mais por energia e alimentos, gerando um cenário de aumento na insegurança alimentar. Enquanto algumas economias ainda se recuperam das consequências da pandemia, a nova crise econômico-financeira acentua a vulnerabilidade dessas nações frente a choques externos.
Origem: Nações Unidas






