Numa atualização preocupante sobre a situação educacional na Ucrânia, o vice-porta-voz global do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Ricardo Pires, destacou que o direito das crianças à educação continua a ser severamente ameaçado quase cinco anos após o início do conflito russo-ucraniano. Durante uma entrevista na cidade de Sumy, Pires revelou que já foram registrados mais de mil alertas de ataques aéreos em apenas 15 dias do atual ano letivo, representando o número mais alto desde o início da guerra, e quase o dobro de registros comparados ao início de anos letivos anteriores.
Os alertas de ataque estão disseminados por todo o país, com uma média de mais de 100 alertas diários, ou quatro por hora, principalmente nas áreas mais afetadas como Sumy, Mykolaiv e Odessa. Pires enfatizou que as crianças são as que mais sentem os impactos desses alertas, que interrompem bruscamente seu direito à educação. Em Sumy, quase metade das instituições de ensino foi danificada ou destruída devido ao conflito.
Além do dano físico às escolas, a situação educacional das crianças ucranianas está em declínio. Dados do governo indicam que, entre janeiro e agosto deste ano, mais de 4,2 mil instituições de ensino foram danificadas desde o início da guerra em fevereiro de 2022. As avaliações educacionais internacionais, como o exame Pisa da OCDE, mostram que muitos jovens de 15 anos na Ucrânia não atingiram os níveis de competência necessários, resultando numa diferença equivalente a dois anos de estudo em leitura e 1,5 anos em matemática e ciências em comparação com seus colegas de outros países.
Apesar dos esforços das autoridades ucranianas para manter o funcionamento do sistema educativo, a continuidade da educação é ameaçada pela guerra e pelas consequências psicológicas que ela traz. Muitos alunos dependem de modelos de ensino híbrido ou online, e quase metade das crianças em idade pré-escolar ainda carecem de acesso à educação regular.
Com a chegada do inverno, novas preocupações surgem devido à possibilidade de ataques a infraestruturas vitais de eletricidade e aquecimento, como ocorreu no ano passado, quando quase 2 milhões de crianças enfrentaram interrupções significativas em serviços essenciais. O Unicef planeja implementar iniciativas para este inverno, com o objetivo de alcançar 3 milhões de pessoas, incluindo 540 mil crianças, para garantir a continuidade da educação e reparar sistemas de aquecimento em escolas.
Origem: Nações Unidas





