Nos últimos meses, a ideia de um assistente baseado em Inteligência Artificial (IA) que vai além de responder perguntas e se conecta a canais reais como mensageria, ferramentas de trabalho e integrações como Slack e Discord tem ganhado notoriedade. No centro dessa inovação está o Moltbot (nome que ainda remete ao seu branding histórico Clawdbot), um projeto ambicioso que transforma um Modelo de Linguagem em um operador digital capaz de executar tarefas complexas.
A promessa do Moltbot é atraente: ele oferece “memória” operacional, automatização, sessões, ferramentas e uma interface web para monitorar suas atividades em tempo real. A partir de um Gateway acessível por WebSocket, o usuário pode gerenciar canais, configurações e ações diretamente do agente.
No entanto, essa evolução de um simples chatbot para um agente digital com habilidades de execução traz à tona preocupações sérias em termos de cibersegurança. Não se trata apenas da possibilidade de um erro no modelo, mas da ameaça real quando o agente recebe ordens maliciosas através de canais que considera válidos, especialmente se tiver permissões suficientes para agir.
Tradicionalmente, chatbots funcionam em um ambiente controlado, respondendo apenas a perguntas. O Moltbot, por outro lado, é projetado para interagir em múltiplas plataformas de mensageria, gerenciar sessões, instalar novas habilidades e até modificar sua própria configuração. Essa flexibilidade, embora útil, também expande a superfície de ataque, aumentando o impacto potencial de erros ou abusos.
Um dos riscos mais subestimados nesta nova abordagem é a injeção de comandos (prompt injection), onde instruções maliciosas são camufladas em conteúdos que o bot processa, levando-o a executar ações indesejadas que podem impactar gravemente a segurança dos dados.
Além disso, a exposição da interface de controle do Moltbot por meio do Gateway e sua autenticação inadequada são outros pontos críticos. A documentação recomenda práticas recomendadas, como manter o Gateway em loopback e utilizar proxies seguros, mas, na prática, a exposição inadequada dessa interface pode abrir portas para acessos não autorizados.
Diante desses riscos, especialistas em segurança reforçam a necessidade de tratar bots como infraestruturas críticas em ambientes corporativos. O que está em jogo é a automação de tarefas, mas também a potencial automação de erros e vulnerabilidades.
Como boas práticas, recomenda-se não expor o Gateway à internet, utilizar tokens fortes e realizar uma gestão de permissões rigorosa. A auditoria e a documentação de ações realizadas pelo agente são essenciais para investigar possíveis incidentes no futuro.
O Moltbot/Clawdbot representa uma mudança significativa na interação com assistentes de IA, passando de um simples diálogo para a delegação de funções. No entanto, essa transformação exige um olhar cuidadoso sobre a segurança e a gestão de riscos envolvidos, evidenciando que a automação sem controles adequados pode ser uma armadilha perigosa.






