A análise realizada pela firma Bernstein sobre a SpaceX apresenta uma visão otimista, com um preço-alvo de 248 dólares por ação. Entretanto, essa perspectiva é acompanhada por reservas significativas relacionadas ao projeto de ampliação dos serviços Starlink, especialmente no que tange à companhia se tornar uma alternativa direta às operadoras móveis tradicionais. Segundo os analistas, há limitações inerentes à comunicação entre smartphones convencionais e satélites que dificultam a substituição das redes terrestres no curto prazo.
A análise destaca que, embora a empresa esteja explorando a conexão direta entre dispositivos móveis e satélites, este modelo apresenta grandes desafios técnicos. A ideia de permitir que usuários conectem seus smartphones diretamente aos satélites Starlink é atraente, especialmente em áreas onde a cobertura terrestre é inexistente. No entanto, as dificuldades são robustas. Em particular, a distância entre os satélites em órbita e os dispositivos móveis torna a comunicação complexa, especialmente em relação ao consumo de energia e à eficiência das antenas.
Bernstein sugere que uma colaboração entre a SpaceX e operadoras móveis, possivelmente em um formato de operador virtual (MVNO), pode ser uma estratégia mais viável do que o enfrentamento direto com gigantes como AT&T, Verizon e T-Mobile. A empresa já possui alguns acordos nesse sentido, permitindo que os satélites complementem as redes existentes em áreas onde a cobertura é limitada.
Outro ponto destacado é que qualquer potencial de valoração positivo da SpaceX está mais concentrado em suas iniciativas com a Starship, na capacidade de lançamento, e em infraestrutura para inteligência artificial, em vez do setor de telefonia móvel. O analista Douglas Harned enfatiza que a capacidade de reutilização da Starship será crucial para a criação de novos negócios e redução de custos no acesso ao espaço.
Embora o projeto de conectividade móvel direta represente uma possibilidade interessante, Bernstein acredita que, devido às limitações atuais, a melhor saída será trabalhar em conjunto com operadoras já estabelecidas, aproveitando a infraestrutura existente. Assim, a avaliação da SpaceX continua a depender de suas inovações em transporte espacial e computação em nuvem, ao mesmo tempo que os desafios da mobilidade permanecem significativos e ainda não totalmente resolvidos.
Os investidores devem ter em mente que, enquanto a SpaceX se posiciona de maneira favorável em várias frentes, a transformação de Starlink em uma alternativa robusta às redes móveis tradicionais parece um objetivo ainda distante, e a verdadeira força da valoração da empresa reside em sua capacidade de inovação nas áreas de lançamento e tecnologia de dados, mais do que em uma competição direta no mercado de telecomunicações.






