Vários povos indígenas e comunidades tradicionais do estado do Acre estão se destacando na liderança de projetos voltados à conservação da Floresta Amazônica. Com um forte enfoque no diálogo participativo, essas comunidades influenciam significativamente a maneira como os fundos destinados ao financiamento climático são aplicados, promovendo a sustentabilidade da floresta. O trabalho conjunto entre educadores e extrativistas é crucial para enfrentar os desafios cotidianos e construir novas visões para o futuro da mata.
A Floresta Extrativista Chico Mendes, que homenageia o ambientalista assassinado em 1988, é um dos principais cenários desses esforços. Um documentário lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) captura as vozes dos habitantes da floresta, revelando suas experiências, lutas cotidianas e esperanças em relação à proteção da Amazônia para futuras gerações.
No Acre, a gestão ambiental é fortalecida por meio de um diálogo contínuo com as comunidades que dependem da floresta. Recentemente, a atualização da repartição de benefícios do programa ISA Carbono, parte do Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (SISA), foi resultado de consultas públicas realizadas em diversos municípios, como Brasiléia e Cruzeiro do Sul. Estas reuniões têm como objetivo garantir que os projetos atendam às necessidades reais dos territórios.
Raimundo Mendes, um líder extrativista da Reserva Extrativista Chico Mendes, expressa preocupações sobre os impactos das mudanças climáticas na região, como a diminuição das chuvas e o aumento das temperaturas. Ele enfatiza que a destruição das florestas afeta toda a vida na Terra. Para ele, a solução começa com o engajamento da população na apresentação de propostas para que alternativas possam surgir de forma coletiva, perpetuando a luta de figuras como Chico Mendes.
Na Reserva Extrativista Rio do Liberdade, Renilda Santana destaca a importância de articulações nas comunidades para a preservação da diversidade biológica e a manutenção da floresta como fonte de sustento. Ela acredita que o mercado pode ser uma extensão das riquezas da floresta quando o manejo é feito de forma sustentável.
Em Feijó, a Escola Tekahayne Shanenawa tem um papel vital na transmissão da cultura e na proteção ambiental. Professores como Andréia Shanenawa enfatizam a responsabilidade de ensinar às novas gerações sobre a importância da terra e da floresta. A diretora Edileuda Shanenawa sublinha a relevância das consultas públicas, afirmando que ouvir as comunidades ajuda a construir um entendimento mais profundo sobre suas necessidades.
Em um contexto onde a floresta enfrenta ameaças constantes, a população do Acre se destaca pela busca de uma participação ativa nas políticas que moldam seu futuro. Jaksilande Araújo, presidente do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre, informa que consultas foram finalizadas em todas as regiões do estado, estabelecendo um novo pacto histórico para a repartição de benefícios. Este acordo visa dividir os recursos de forma justa entre extrativistas, agricultores e povos indígenas, reforçando o Acre como um modelo global em redução de emissões por desmatamento.
Origem: Nações Unidas






