O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua satisfação com a divulgação do primeiro relatório do Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial, que foi publicado nesta quarta-feira. Este importante documento, elaborado por um grupo de 40 especialistas reunidos pela ONU, servirá como base para o Primeiro Diálogo Global sobre Governança da IA, programado para começar na próxima segunda-feira em Genebra.
Guterres fez um apelo enfático aos países, enfatizando que é crucial não perder tempo e começar a utilizar as evidências científicas apresentadas no relatório. Ele advertiu que, à medida que a inteligência artificial avança sem diretrizes claras, a capacidade de governos e indivíduos de influenciar os resultados dessa tecnologia diminui significativamente. O secretário-geral observou que a evolução da IA passou de um reconhecimento passivo de padrões para um raciocínio ativo e ações autônomas.
Durante o lançamento do relatório, os copresidentes do painel, a jornalista filipina e vencedora do prêmio Nobel da Paz, Maria Ressa, e o cientista da computação franco-canadense, Yoshua Bengio, também compartilharem suas preocupações. Ressa destacou que, com a publicação, o mundo não pode mais alegar ignorância sobre os riscos e benefícios da IA. Ela enfatizou três constatações alarmantes: o aumento acelerado no desenvolvimento da tecnologia, a concentração de poder nas mãos de poucos e a falta de garantias de que a humanidade conseguirá controlar a IA.
Adicionalmente, Ressa expressou preocupação com a disseminação de informações equivocadas que podem resultar do uso dessa tecnologia, especialmente em uma era em que a IA generativa pode criar desinformação de maneira rápida e eficiente. Para ela, a falta de fatos, verdade e confiança compromete a construção de uma realidade compartilhada.
Por outro lado, Yoshua Bengio mencionou que a missão do painel é assegurar que as decisões políticas sejam orientadas pelos mais altos padrões de integridade científica, longe de pressões externas. Ele alertou que o mundo está em um momento crítico, onde as máquinas estão se tornando cada vez mais inteligentes, o que pode gerar benefícios significativos. Contudo, Bengio ressaltou que não há garantias de que os sistemas de IA seguirão normas e diretrizes estabelecidas, e existem indícios crescentes de que a IA pode atuar de forma a contornar o controle humano.
Tanto Ressa quanto Bengio concordam que os próximos passos no desenvolvimento da inteligência artificial devem ser cuidadosamente coordenados entre os países para garantir que essa tecnologia evolua de maneira positiva, reconhecendo que as decisões tomadas hoje terão repercussões duradouras em várias esferas da sociedade.
Origem: Nações Unidas





