Portugal tem enfrentado nas últimas semanas um aumento significativo em fenômenos climáticos extremos, como tempestades intensas e cheias que resultaram em destruição significativa e perda de vidas. Em resposta a essa situação, a Proteção Civil solicitou a assistência do Copernicus, um programa da União Europeia que utiliza imagens de satélite para monitorar e avaliar as áreas afetadas, especialmente as impactadas pela depressão Kristin.
Segundo Ana Cláudia Teodoro, engenheira geoespacial e professora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, as imagens de satélite são indispensáveis para a análise temporal de eventos naturais. Com um acervo de mais de 50 anos de imagens disponíveis, é possível identificar padrões de ocorrência e calcular períodos de retorno de eventos climáticos extremos, fornecendo informações valiosas para a preparação e resposta a desastres.
A especialista ressalta que, com a crescente frequência e intensidade desses fenômenos, como secas e ondas de calor, é vital desenvolver sistemas de alerta para mitigar danos a pessoas e bens. Ela defende que o trabalho dos engenheiros geoespaciais é essencial na monitorização e gestão de desastres, integrando dados que possibilitam a análise eficaz das áreas afetadas.
Adicionalmente, Ana Cláudia enfatiza que Portugal pode se beneficiar de exemplos de outros países europeus, como o European Flood Awareness System (EFAS), que fornece previsões de cheias com antecedência e monitoramento contínuo de eventos. O EFAS ajuda a informar autoridades sobre os riscos relacionados às cheias, disponibilizando dados cruciais para uma resposta efetiva.
Para compreender a dinâmica dos fenômenos de cheias, é utilizado tanto sensores ativos quanto passivos na detecção remota. Sensores como o Sentinel-1 são particularmente úteis, pois conseguem obter informações mesmo em condições climáticas adversas. O uso dessas tecnologias é essencial para mapear os efeitos das cheias e determinar a extensão das áreas alagadas.
Por fim, a professora destaca a necessidade de reconhecer e valorizar a profissão de engenheiro geoespacial em Portugal, uma vez que suas competências são fundamentais para enfrentar os desafios ambientais crescentes e garantir uma gestão territorial eficaz.
Origem: Universidade do Porto






