Em uma recente conferência sobre os resultados financeiros da TSMC, o cenário pintado não foi apenas sobre o progresso da inteligência artificial, mas trouxe à tona uma preocupação mais profunda: o mercado de chips avançados enfrenta limites físicos e de capacidade, com a empresa prevendo que a solução para esses problemas levará anos, e não trimestres.
No dia 15 de janeiro de 2026, a TSMC, a maior fabricante mundial de semicondutores por contrato, divulgou os resultados do quarto trimestre de 2025, destacando receitas consolidadas de 1,046 trilhões de novos dólares taiwaneses e um lucro líquido de 505,74 bilhões de novos dólares taiwaneses, com uma margem bruta de 62,3%. Em termos de dólares americanos, isso representa uma receita trimestral de 33,73 bilhões, um crescimento de 25,5% em relação ao ano anterior.
A companhia apresentou uma previsão para o primeiro trimestre de 2026 que reflete um teto estrutural nos seus margens de lucro, com expectativas de receita entre 34,6 e 35,8 bilhões de dólares e uma margem bruta entre 63% e 65%. Isto indica que a TSMC não apenas está aumentando suas vendas, mas também priorizando produtos que geram maior margem em um mercado onde a demanda por computação avançada é cada vez mais crítica.
Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi o aumento significativo no investimento de capital para 2026, que vai entre 52 e 56 bilhões de dólares. Essa decisão é baseada em necessidades de crescimento futuro, com entre 70% e 80% deste investimento focado em tecnologias de processo avançadas, como os nós de 7 nm e inferiores. Durante a chamada, a TSMC ressaltou que os custos das ferramentas e a complexidade dos processos estão aumentando, enfatizando que o desafio não é apenas financeiro, mas também logístico e operacional.
C.C. Wei, CEO da TSMC, expressou preocupação sobre os riscos dessa alta investimento, mencionando que a empresa se preocupa não apenas com seus clientes diretos, mas também com os “clientes dos clientes”, especialmente grandes provedores de serviços em nuvem. Isso sinaliza uma busca por uma melhor compreensão da demanda real do mercado, que está se ajustando rapidamente ao correr da tecnologia.
Além disso, Wei observou que a capacidade de produção é “muito ajustada”, e que os planos para 2026 e 2027 visam reduzir a lacuna entre oferta e demanda. A empresa também está monitorando intimamente a questão do fornecimento elétrico e sistemas de refrigeração necessários para suportar o crescimento dos centros de dados de IA, tranquilizando os investidores de que, por enquanto, “tudo vai bem”.
Nos últimos trimestres, a computação de alto desempenho, que inclui negócios de IA, já representa 55% da receita total da TSMC, evidenciando uma mudança significativa em direção a um ciclo de computação avançada, em detrimento do tradicional mercado de eletrônicos de baixo custo.
A TSMC espera que o crescimento no segmento de IA continue em um ritmo composto anual de “meio-alto 50%” até 2029, reforçando a noção de que o ciclo da inteligência artificial não é uma onda passageira, mas sim uma mudança de paradigma no setor de semicondutores. Em vez de questionar se há demanda, a discussão agora gira em torno de quão rápido a oferta pode se ajustar a essa demanda crescente.






