A corrida da inteligência artificial não se mede mais apenas em chips, modelos ou número de parâmetros. Em 2026, o gargalo que separa os data centers “convencionais” das novas fábricas de IA começa a depender de um elemento muito menos glamouroso: a água, os tubos, as bombas e a capacidade real de extrair calor de forma constante e previsível.
Neste cenário, a Motivair—empresa especializada em refrigeração líquida e integrada à Schneider Electric—apresentou um novo equipamento que traz uma mensagem clara para o setor: a infraestrutura térmica deve escalar no ritmo das GPUs. A companhia anunciou o lançamento da MCDU-70, uma Unidade de Distribuição de Refrigerante (CDU) com capacidade de 2,5 MW, projetada para refrigerar data centers de alta densidade e, principalmente, para crescer em implantações modulares que podem chegar a 10 MW ou mais em designs de próxima geração.
Uma CDU pode parecer apenas um elemento da mecânica de um data center, mas na prática funciona como um “nó de distribuição” do circuito de refrigeração líquida: regula fluxos, ajuda a manter pressões estáveis e permite alimentar de forma controlada ambientes onde o ar não é mais suficiente. Com a evolução dos sistemas de computação acelerada—HPC, treinamento e inferência em larga escala—o desafio não é apenas a potência instalada, mas sim a densidade térmica concentrada. Quanto mais se comprime o desempenho em um espaço menor, mais difícil se torna a evacuação do calor sem penalizar a disponibilidade, eficiência ou os tempos de manutenção.
Portanto, o mercado está se voltando para arquiteturas em que a refrigeração líquida não é um “extra”, mas sim uma condição para operar. Nesse aspecto, a proposta da Motivair é uma CDU de alta capacidade que não exige a reconfiguração do data center a cada aumento na demanda.
A MCDU-70 se destaca por ser a CDU de maior capacidade da linha da Motivair. O argumento técnico que embasa o anúncio é a escalabilidade: unidades projetadas para operar em conjunto como um sistema centralizado. De acordo com informações da empresa, a integração com EcoStruxure—plataforma de software da Schneider Electric para gestão e operação—permite que várias CDUs funcionem como um “conjunto” capaz de atender às necessidades atuais e expandir conforme aumentam os implantes.
Um exemplo prático mencionado é o tipo de design que busca alcançar 10 MW como etapa preparatória para escalar instalações de ordem gigawatt. Nesse contexto, prevê-se que seis unidades MCDU-70 possam ser configuradas para uma estratégia de redundância 4+2 (quatro em operação e duas de reserva), uma abordagem típica para reforçar a resiliência sem superdimensionar desnecessariamente.
Além disso, essa infraestrutura “térmica” deve influenciar decisivamente o design desde o início. Para engenheiros e responsáveis operacionais, a reflexão não se resume a se haverá refrigeração líquida, mas como industrializá-la para que não se torne um projeto artesanal a cada novo projeto. A MCDU-70 chega como o “teto” de uma gama mais ampla, onde a Schneider Electric destaca a disponibilidade global de CDUs que variam de 105 kW a 2,5 MW, com uma abordagem integrada e coordenada para atender a diferentes demandas.
Essa mudança revela uma tendência: a refrigeração líquida deixa de ser uma solução “exótica” e se torna um catálogo industrial, essencial para que o setor acompanhe a velocidade das novas fábricas de IA que estão surgindo em várias regiões.





