A Assembleia Geral da ONU se reunirá nesta sexta-feira para discutir um resumo elaborado pelo secretário-geral António Guterres sobre o Pacto Global sobre Migração. Esta sessão antecede o segundo Fórum de Revisão da Migração Internacional, que ocorrerá de 5 a 8 de maio de 2026, em Nova Iorque. O documento em pauta avalia os progressos desde o relatório anterior de 2024 e apresenta orientações para as deliberações do Fórum, com base em revisões regionais e consultas com Estados e entidades das Nações Unidas.
De acordo com o relatório, em 2024, o mundo contará com 304 milhões de migrantes internacionais, o que representa 3,7% da população global. Desses, 45% residem na sua região de origem. A força de trabalho global incluirá 168 milhões de trabalhadores migrantes, com 64,9 milhões sendo mulheres. Entre os migrantes, de 37 a 42 milhões são crianças, o que equivale a 12% a 14% do total.
Um aspecto alarmante destacado no relatório é o registro de 202.478 vítimas de tráfico humano em 156 países entre 2020 e 2023, sendo 61% mulheres. Desde a adoção do Pacto Global sobre Migração Segura, Ordenada e Regular, foram documentadas mais de 48 mil mortes e desaparecimentos durante rotas migratórias, com cerca de 15 mil ocorrências apenas em 2024 e 2025.
O relatório também ressalta que, sem vias seguras e regulares, os migrantes enfrentam riscos elevados. Muitos Estados-membros implementaram programas de migração laboral, incluindo mecanismos baseados em competências e admissões humanitárias. Embora algumas nações tenham concedido permissões de residência com base em direitos humanos, desafios como altos custos administrativos e critérios restritivos persistem, dificultando a regularização de migrantes em situação irregular.
A reunificação familiar surge como uma estratégia significativa para reduzir a migração irregular e promover a integração. No entanto, barreiras legais e práticas continuam a limitar o acesso a esses mecanismos, excluindo frequentemente trabalhadores migrantes de baixa renda.
Outro ponto enfatizado é a relação entre migração e alterações climáticas, com a necessidade de integrar a mobilidade humana nas políticas de adaptação climática. Alguns países começaram a incluir a migração e o deslocamento em suas estratégias climáticas, refletindo uma resposta às gerações de deslocados por crises ambientais. O segundo Imrf, agendado para 2026, reunirá Estados-Membros e partes interessadas para avaliar avanços e desafios no cumprimento do Pacto e para definir novas prioridades.
Origem: Nações Unidas






