Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em colaboração com a Faculdade de Farmácia e o Laboratório Associado para a Química Verde e a Rede de Química e Tecnologia, fez uma descoberta significativa relacionada ao subproduto da polpa de café, frequentemente descartado durante a produção do café. A pesquisa, publicada na revista científica Antioxidants, revelou que a suplementação com polpa de café pode oferecer benefícios metabólicos relevantes.
O estudo demonstrou que a polpa de café contribuiu para reduzir o ganho de peso, melhorar os níveis de glicose no sangue, diminuir a resistência à insulina e atenuar o aumento da pressão arterial em modelos experimentais alimentados com uma dieta rica em frutose. Segundo Fátima Martel, professora da FMUP e uma das autoras da pesquisa, os efeitos benéficos da polpa foram observados em um modelo que simula as alterações relacionadas à síndrome metabólica.
Os componentes bioativos contidos na polpa de café atuam de maneira integrada, influenciando as vias metabólicas, inflamatórias e vasculares, e mostrando potencial para ajudar na mitigação de diversos fatores associados à síndrome metabólica. O estudo ressalta que a polpa é rica em cafeína e compostos fenólicos, os quais são conhecidos por suas propriedades antioxidantes e benefícios na luta contra a inflamação, hipertensão e diabetes.
Além dos achados em saúde, a pesquisa também indica possibilidades para aplicações alimentares da polpa de café, com experiências já realizadas envolvendo a criação de bolachas e bebidas que foram bem aceitas em testes sensoriais. Recentemente, a introdução da polpa seca de café no mercado da União Europeia foi autorizada, abrindo portas para seu uso como um recurso multifuncional que pode resultar em alimentos funcionais e ingredientes tecnológicos.
Os pesquisadores expressam que essa inovação não apenas amplia as oportunidades econômicas, mas também promove práticas agrícolas mais sustentáveis, reduzindo o impacto ambiental da produção de café. O próximo desafio será aplicar essas descobertas em contextos clínicos, o que dependerá de novos financiamentos. O estudo contou com a colaboração de vários investigadores e faz parte do projeto COBY4HEALTH, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Origem: Universidade do Porto






