A crescente ascensão da direita radical populista tem gerado preocupações em várias esferas da sociedade, especialmente em relação às suas implicações nas normas democráticas e nas relações sociais. Nesse contexto, inicia-se o projeto de investigação RIGHTResponse, que visa compreender como os cidadãos comuns reagem a esse fenômeno e quais são os impactos dessas respostas na coesão social e na democracia. A pesquisa, recentemente aprovada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, conta com um financiamento de aproximadamente 60 mil euros e tem uma duração prevista até agosto de 2027.
Coordenado por Catarina Carvalho, docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, o projeto se insere no trabalho do Laboratório de Psicologia Social, que já desenvolve estudos sobre polarização e extremismos. A proposta do RIGHTResponse é inovadora, uma vez que se volta para as respostas dos cidadãos comuns, em contraste com abordagens anteriores que se concentraram mais nas causas da adesão à direita radical ou nas respostas institucionais.
O foco da investigação está em analisar como as pessoas reagem à retórica anti-imigração e excludente da direita radical, abordando diferentes posturas, desde a adesão até formas alternativas de ação. O projeto busca mapear essas respostas e entender os processos psicossociais que as explicam, bem como avaliar as consequências que elas têm para a coesão social e o bem-estar coletivo.
Uma das principais preocupações é identificar se as respostas dos cidadãos ajudam a conter a normalização da retórica extremista ou se, por outro lado, podem agravar a polarização social. Para isso, o projeto utilizará uma metodologia mista, combinando métodos qualitativos e quantitativos, incluindo grupos focais, estudos representativos em países como Portugal e Itália, e o desenvolvimento de uma nova escala psicométrica.
Os resultados esperados prometem informar políticas públicas e práticas sociais, ajudando a compreender melhor os fenômenos da polarização e da adesão a discursos extremistas. Catarina Carvalho enfatiza que o conhecimento gerado pelo projeto pode ser fundamental para desenvolver estratégias que combatam discursos de exclusão e promovam valores democráticos, contribuindo assim para uma sociedade mais coesa e resistente a retrocessos democráticos. A equipe de pesquisa é composta por outros acadêmicos da FPCEUP e de instituições reconhecidas, com o objetivo também de promover a formação de jovens pesquisadores.
Origem: Universidade do Porto






