A análise do papel feminino na tomada de decisões em contextos estratégicos revela desafios significativos e consequências prejudiciais quando a inclusão é negligenciada. Há exatamente 20 anos, uma missão de segurança realizada pela União Europeia na fronteira entre Israel, Gaza e Egito faltou em sua composição essencial: a presença de mulheres. Essa ausência gerou um impasse operacional onde a revistagem de mulheres civis tornou-se um obstáculo, destacando como a exclusão pode resultar em falhas concretas.
Cristina Gallach, diretora executiva interina da Global Women Leaders Voices, enfatiza a necessidade de mulheres em posições de autoridade e planejamento para evitar olhos vendados dentro das instituições. Com uma vasta experiência no jornalismo e na diplomacia, Gallach vivenciou a disparidade de gênero ao longo de sua carreira, notando que a tomada de decisões frequentemente excluía as mulheres, mesmo quando estas ocupavam funções relevantes.
O impacto da inclusão feminina já está sendo observado em diversas áreas. Em Tanzânia, por exemplo, o Sindicato dos Trabalhadores em Conservação capacitou mais de 1,2 mil trabalhadoras do setor doméstico, promovendo não só o empoderamento feminino, mas também melhorando a representação das mulheres na liderança do sindicato. No Marrocos, a implementação do programa Direction Femmes elevou a participação feminina nos cargos seniores do Ministério de Emprego, aumentando significativamente a presença feminina em espaços de decisão.
Entretanto, as estatísticas globalmente ainda são alarmantes. Em 2025, apenas 48% das mulheres estavam no mercado formal, em contraposição a 73% dos homens. Além disso, as mulheres continuam a enfrentar desvantagens salariais, com salários em média 23% inferiores aos dos homens, e ainda acumulam a maior parte do trabalho de cuidado não remunerado. Com cerca de 38% das mulheres em cargos de gerência e apenas 31% em posições de liderança, os desafios permanecem evidentes.
Peggy Hicks, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, aborda o acesso das mulheres a posições de autoridade, afirmando que, para muitas, essa possibilidade ainda é um sonho distante. A luta pela inclusão feminina implica enfrentar retrocessos através de marcos legislativos que garantam igualdade, paridade salarial, infraestrutura de apoio e ambientes de trabalho seguros. Gallach destaca que o momento atual é critico para a causa da igualdade, necessitando de um esforço coletivo para reverter esses retrocessos e fomentar a justiça de gênero.
Origem: Nações Unidas






