Durante sua visita ao Quênia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou a importância de Nairóbi como um centro relevante para a governança global, especialmente no contexto do Sul Global, na Cúpula África Avante. Em uma cerimônia ao lado do presidente queniano, William Ruto, Guterres também anunciou a construção de novos escritórios e lançou a primeira pedra de um complexo de conferências, que representa uma “nova era para o multilateralismo”.
O projeto inclui o primeiro edifício “emissão-zero” da ONU, totalmente alimentado por energia solar, e visa transformar o campus de Gigiri em um eixo central para as ações globais da organização. O novo espaço abrigará diversas agências da ONU, como a Acnur e o Unicef, e busca atingir a neutralidade de carbono até 2030.
Com um investimento de US$ 5,2 milhões, o desenvolvimento do Escritório das Nações Unidas em Nairóbi também vai incluir um centro de conferências para 9 mil pessoas, abrangendo mais de 56 hectares. Além disso, o projeto prevê a restauração de ecossistemas no corredor do Rio Nairóbi e a criação de áreas urbanas sustentáveis, com foco em eficiência energética.
Durante seu discurso, Guterres denunciou a arquitetura financeira global, considerando-a “obsoleta e injusta”, e enfatizou o impacto negativo dos custos de empréstimos e da dívida sobre o potencial africano. Ele defendeu a necessidade de reformas institucionais, incluindo um assento permanente para a África no Conselho de Segurança da ONU, para garantir que o continente tenha a voz necessária em decisões que o afetam.
A visita também abordou preocupações com a instabilidade regional, em especial os conflitos no Sudão e na República Democrática do Congo, além dos problemas econômicos globais que, segundo ele, afetam diretamente os africanos. Guterres fez um alerta sobre como as tensões geopolíticas no Oriente Médio impactaram o aumento dos custos dos fertilizantes, mostrando a interconexão entre crises e a necessidade de soluções políticas imediatas.
A expansão das instalações em Nairóbi foi vista por Guterres como uma demonstração da capacidade da África em contribuir com soluções para os desafios mundiais, afirmando que, em meio a crises de segurança alimentar e climática, o continente deve ser reconhecido não apenas pelos desafios que enfrenta, mas também pelas oportunidades que oferece.
Origem: Nações Unidas





