As tecnologias digitais estão moldando a maneira como as sociedades funcionam, impactando desde o acesso a serviços governamentais até a gestão de finanças pessoais e relações sociais. Entretanto, a transição digital pode exacerbar a exclusão de grupos mais vulneráveis, especialmente os idosos que não têm familiaridade com o mundo digital. Uma nova análise da Comissão Económica e Social para a Ásia e o Pacífico (Escap) destaca que, até 2050, o número de pessoas idosas na região pode quase dobrar, alcançando cerca de 996 milhões, o que representa cerca de 20% da população total. Essa mudança demográfica traz à tona a desigualdade no acesso e uso das tecnologias digitais, evidenciando uma divisão geracional preocupante.
Os data da Escap revelam que muitos países em desenvolvimento ainda enfrentam grandes desafios, com o acesso à internet para a população idosa sendo extremamente limitado. Sem o desenvolvimento de habilidades digitais, os trabalhadores mais velhos correm o risco de ficarem excluídos do mercado de trabalho contemporâneo, o que se torna uma questão crítica à medida que a esperança média de vida continua a aumentar.
Um recente inquérito realizado em vários países asiáticos, incluindo Camboja, Índia, Quirguistão, Laos e Vietnã, apontou que apenas 7,4% dos entrevistados idosos já participaram de formações formais em literacia digital. A maioria das pessoas mais velhas que adquiriram conhecimento digital o fizeram através de familiares, o que evidencia a importância das relações intergeracionais. No Vietnã, iniciativas como os “Clubes Intergeracionais de Autoajuda” têm se mostrado eficazes, permitindo que pessoas de diferentes idades se reúnam para desenvolver habilidades práticas, incluindo a literacia digital.
Entretanto, para que a inclusão digital seja efetiva, não basta promover a formação. Os serviços digitais também precisam ser projetados com o usuário idoso em mente, com sistemas simplificados e de fácil navegação. A construção de um ambiente de aprendizado seguro e de apoio é essencial, pois a confiança digital frequentemente surge não da tecnologia, mas das comunidades que facilitam esse aprendizado. Quando os idosos são devidamente capacitados e integrados, toda a sociedade se beneficia, promovendo um futuro mais inclusivo e próspero para todos.
Origem: Nações Unidas




