A computação quântica, a soberania de dados e as redes legadas estão se unindo como um desafio significativo para a infraestrutura empresarial, conforme revelado no novo relatório “Security and Networks Snapshot 2025-2026” da Kyndryl. O estudo, que se baseia nas respostas de 3.700 executivos de negócios e tecnologia em 21 países, destaca a crescente desarmonia entre os investimentos das empresas em tecnologias avançadas e a real prontidão de sua base tecnológica para lidar com riscos emergentes, especialmente em uma era dominada pela inteligência artificial.
O cenário apresenta um alerta alarmante: muitas organizações estão canalizando recursos significativos em inovações, mas ainda lutam para resolver questões críticas simultaneamente. O risco quântico avança rapidamente, impulsionado pela falta de preparação; a soberania digital e a regulamentação estão forçando rerroteiros arquitetônicos; além disso, grande parte das redes que sustentam essas inovações continua a envelhecer ou está próxima do fim de sua vida útil.
A Kyndryl observa que o problema não é meramente tecnológico, mas de abordagem. As empresas muitas vezes tratam essas questões de forma isolada, considerando a criptografia pós-quântica, a localização de dados e a modernização das redes como projetos distintos. Entretanto, essa separação pode gerar lacunas operacionais e limitar a resiliência, prejudicando a capacidade de escalar operações respaldadas por IA.
O relatório revela um contraste significativo entre a percepção de investimento e a realidade. Embora 62% das organizações afirmem estar investindo em tecnologias quânticas, apenas 4% dos líderes acreditam que a computação quântica terá um impacto significativo a curto prazo. O estudo enfatiza um risco real, uma vez que o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) já aprovou padrões oficiais de criptografia pós-quântica, ressaltando que o tempo para a transição já começou.
Outro ponto crítico abordado é a soberania digital. Uma grande maioria dos líderes reconhece o aumento da importância das normas de soberania e repatriação de dados, impulsionada por exigências governamentais mais rigorosas sobre a localização e o controle dos dados. Na Europa, a diretiva NIS2 está moldando um novo padrão de segurança cibernética que exige revisões das arquiteturas e das relações com fornecedores.
Kyndryl também destaca a questão das redes legadas, apontando que 25% das infraestruturas críticas estão no fim de sua vida útil. Esse fator se torna um obstáculo para a escalabilidade das tecnologias mais recentes. Em um ambiente em que a IA depende de dados fluidos e de alta qualidade, a inadequação das redes pode mitigar significativamente o valor dos investimentos realizados.
Em suma, o relatório conclui que para as empresas se adaptarem e prosperarem, será essencial integrar a modernização tecnológica e a preparação para riscos quânticos, a soberania de dados e a atualização das redes. A Kyndryl adverte que a lacuna não se encontra apenas entre empresas avançadas e as que estão em atraso, mas sim entre aquelas que estão conectando esses desafios de forma coesa e as que continuam a tratá-los como elementos isolados.






