Foi recentemente publicado o artigo científico intitulado “Increased risk of squamous cell carcinoma based on solar ultraviolet radiation measurements from outdoor workers in Lisbon, Portugal”, que inclui a colaboração da meteorologista do IPMA, Fernanda Carvalho. Esta pesquisa foi divulgada na revista “Frontiers” e pode ser acessada por meio do link indicado.
A radiação ultravioleta (RUV) solar é reconhecida como uma das principais causas do câncer de pele, sendo o carcinoma espinocelular (CEC) especialmente frequente entre trabalhadores que atuam ao ar livre, devido à exposição crônica a essa radiação. Apesar do aumento da incidência de CEC nesse grupo, muitos casos ainda são subnotificados e frequentemente não são classificados como doenças ocupacionais.
As diretrizes atuais estabelecem um limite de exposição à RUV de 30 J/m² durante uma jornada de trabalho de 8 horas, aplicável tanto à radiação solar quanto à artificial. O estudo visou quantificar o risco excessivo de CEC entre profissões como jardineiros, coveiros, pavimentadores, asfaltadores, trabalhadores de saneamento e marinheiros em Lisboa. Para isso, foram utilizados dosímetros pessoais para medir a radiação UV solar em noventa trabalhadores ao ar livre, durante o período de abril a outubro de 2023.
Os dados coletados permitiram calcular o risco relativo de CEC para cada profissão analisada, bem como para cada indivíduo, usando uma fórmula desenvolvida por Milon et al. Os resultados revelaram um risco elevado de CEC entre esses trabalhadores e enfatizaram a importância da dosimetria direta para uma avaliação precisa deste risco, além de ressaltar a necessidade de implementar estratégias de proteção mais robustas.
As descobertas deste estudo também contribuem para o fortalecimento das estratégias de saúde pública em Portugal, abrangendo áreas como epidemiologia, saúde pública e segurança no trabalho, além de incentivar a pesquisa clínica sobre os efeitos da radiação ultravioleta.
Origem: Instituto Português do Mar e da Atmosfera






