O recente agravamento do conflito no Oriente Médio provocou a formação de uma força-tarefa da ONU para atender às crescentes necessidades humanitárias decorrentes da crise, especialmente no que se refere ao setor energético. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, nomeou Jorge Moreira da Silva, um português que atua como diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops), para liderar esta iniciativa.
Em uma entrevista exclusiva, Moreira da Silva enfatizou que a situação atual vai muito além de um simples desabastecimento energético. Ele refere que o cenário atual apresenta uma nova configuração geopolítica profunda. A experiência de choques anteriores de energia, como os eventos petrolíferos das décadas de 70 e 80 e mais recentemente, o conflito na Ucrânia, ensina que três reações evolutivas costumam ocorrer: aumento na eficiência do consumo energético, diversificação das fontes e rotas de energia e um movimento em direção ao esverdeamento, isto é, uma maior adoção de energias sustentáveis.
A interrupção do fornecimento de energia no Estreito de Ormuz, em decorrência das tensões com o Irã, forçou diversas nações a explorar alternativas. O Brasil, por exemplo, intensificou o envio de energia à China, enquanto países como Angola e Timor-Leste mantêm suas operações petrolíferas ativas. Além disso, Moçambique apresenta-se como uma nova promessa no setor de gás natural, após a descoberta de novas reservas.
Moreira da Silva ressalta que a resposta à crise deve ser estruturada em torno de uma eficiência energética sólida, diversificação das fontes de energia e uma transição ecológica acelerada. Ele adverte que as escolhas feitas no curto prazo, como soluções políticas para reabrir o Estreito de Ormuz, terão implicações significativas, pois a falta de ação pode resultar em um aumento exorbitante dos custos humanitários no futuro.
O líder da força-tarefa acredita que o desenvolvimento sustentável deve ser visto não apenas como uma meta ambiental, mas também como uma ferramenta vital para a proteção social e econômica. A pandemia de COVID-19 evidenciou a fragilidade das cadeias de suprimento, afetando desproporcionalmente os mais vulneráveis. Com isso, Moreira da Silva destaca a importância de se investir em infraestrutura resiliente para garantir que os países se tornem líderes em um novo cenário energético global.
Origem: Nações Unidas





