A exposição excessiva a telas durante a primeira infância tem gerado preocupações significativas entre especialistas em desenvolvimento infantil, que alertam para os impactos negativos no crescimento cognitivo e motor das crianças. Um estudo recente do Banco Mundial destacou os riscos associados ao uso excessivo de dispositivos móveis, como atrasos no desenvolvimento linguístico, diminuição da atenção, problemas de socialização e distúrbios nos padrões de sono.
Além disso, a desigualdade no acesso a instituições de ensino pré-escolar é um fator agravante. Na América Latina e no Caribe, apenas 15% das crianças entre zero e dois anos estão matriculadas em creches, em contraste com 43% nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esses dados refletem barreiras estruturais, como horários incompatíveis e deslocamentos longos, que dificultam o acesso das famílias a essas instituições.
Florencia López Boo, especialista da Universidade de Nova Iorque, enfatizou que a falta de acesso a creches, combinada com a disponibilidade de smartphones, cria um ambiente propício para a dependência de telas desde a infância. Isso se traduz em dispositivos digitais atuando como babás, o que pode comprometer o desenvolvimento das crianças.
O relatório recomenda, portanto, uma abordagem equilibrada, incentivando a redução gradual do tempo em frente às telas e promovendo atividades que não envolvam dispositivos eletrônicos. É necessário implementar campanhas de conscientização para as famílias e regular a indústria digital para combater práticas que fomentam o uso desenfreado de tecnologia entre os mais jovens. A mudança, segundo os especialistas, é fundamental para garantir um desenvolvimento mais saudável e equilibrado para as crianças na era digital.
Origem: Nações Unidas




