Cavalos da raça garrano, criados em regime extensivo, estão a assumir um papel crucial na mitigação dos prejuízos econômicos causados pelo lobo-ibérico, segundo um estudo recente realizado por Joana Freitas, estudante de doutoramento na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. A pesquisa, desenvolvida no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (BIOPOLIS-CIBIO), revelou que os garranos podem representar até 80% da dieta do lobo-ibérico em certas regiões do Noroeste de Portugal e Espanha. Com isso, esses animais atuam como uma “presa tampão”, reduzindo assim a predação sobre gados valiosos, como vacas, cabras e ovelhas.
No entanto, esta função ecológica está a colocar maior pressão sobre uma raça autóctone que já enfrenta ameaças à sua sobrevivência. De acordo com dados da Associação de Criadores de Equinos da Raça Garrana, existem apenas cerca de 2.000 garranos puros em Portugal, o que acende um alerta sobre a necessidade urgente de proteção. “É fundamental que preservemos esta raça não só pelo seu valor cultural, mas também pelos importantes serviços que presta aos ecossistemas”, enfatiza Joana Freitas.
A estudante também destaca a importância de encontrar um equilíbrio entre a convivência do lobo-ibérico, dos garranos e das comunidades rurais. Ela alerta que, caso não haja uma gestão sustentável, os conflitos entre esses elementos poderão persistir. Para mitigar esses conflitos, a pesquisa propõe a aplicação de medidas de “compensação indireta”, como já foi feito em países como a Finlândia, onde os proprietários dos garranos poderiam receber apoio monetário conforme o risco de predação.
Além disso, o estudo sugere reforçar as populações de presas selvagens nativas, como veados e corços, com o intuito de restaurar a dieta do lobo às suas presas naturais. O trabalho de pesquisa foi publicado na revista internacional Mammal Review, uma referência na área de ecologia e biologia de mamíferos, e inclui outros autores, como Francisco Álvares e Laura Lagos, trazendo uma visão colaborativa para a proteção da biodiversidade.
Origem: Universidade do Porto





